Cosmologia Espiritual ou A Metafísica





Cosmologia Espiritual ou A Metafísica
Ciência e Espiritualidade

Janine Milward


A Cosmologia Espiritual ou A Metafísica é a fusão dos conhecimentos da ciência e da metaciência: o verdadeiro holismo que nos leva à compreensão da Vida e da Natureza, a Criação, desde o seu Princípio Primordial, o Tao, O Caminho.

Esse processo pode ser compreendido e apreendido na relação céu-homem-terra, com a própria natureza agindo como o mestre que transmite a seus discípulos suas verdades através da observação pragmática estruturada em ciência física e da percepção da sincronicidade que revela os arquétipos que são traduzidos em símbolos, mitos e histórias estruturados em ciência metafísica.

Na Cosmologia Espiritual ou Metafísica, estudamos o antes do começo, o começo, o durante, o fim, o depois do fim, o antes do começo, o começo.... É o Eterno Retorno, o Revirão, A Mutação, é o ponto Onde a Cobra Morde a Cauda.

Sendo o Mundo da Manifestação advindo do Tao do Mundo da Não-Manifestação, toda a Criação é sempre manifestada através de seu processo infinito de Eterna Mutação e de exterioridade e interioridade. A única não-mutação é a própria constante mutação. A única não-mutação é o Tao que é plenamente interiorizado. Todo a Criação é exteriorizada e, portanto, faz parte da constante mutação. Somente o Tao é a não-mutação e a plenitude da interiorização.

O retorno é o movimento do Caminho
A suavidade é a atuação do Caminho
Os seres sob o céu nascem da existência
E a existência nasce da não-existência.

(assim nos diz Lao Tse, o Mestre do Tao)


A Suprema Consciência dá berço à Mente Cósmica, que por sua vez, espelha-se na Criação, criando a Luz. No entanto, tudo é mente. A mente é manifestada através da Luz e Não-Luz. Toda a Criação advinda do Mundo da Manifestação (que é oriundo do Mundo da Não-Manifestação) é o exercício da mente através da formalização da Luz e Não-Luz. No entanto, essa energia mental formalizada através da Luz e Não-Luz é tão somente uma manifestação mental, Maya. Toda a Criação é tão somente uma manifestação mental formalizada através da Luz e Não-Luz.

...A força que guia as estrelas, guia você também...

(assim nos diz Srii Srii Anandamurti, o Mestre do Tantra)



A Suprema Consciência, a Mente Cósmica, o Tao da Criação, Deus, a tudo permeia: Baba Nam Kevalam.

Enquanto Criação, resta-nos a expansão infinita e iluminada de nossa mente, de nossa consciência e de nossa vida, de forma a alcançarmos a plenitude de nossa fusão com a Suprema Consciência, ou seja, alcançando mente e consciência e vidas infinitas e iluminadas numa participação plenamente consciente da eterna mutação, do revirão entre os Mundos da Manifestação e da Não-Manifestação – o Retorno à Fonte Primordial.

Retornar à Fonte Primordial significa retornar a ser uma estrela. O verdadeiro Mestre é aquele que realizou seu Caminho da Iluminação e seu Caminho da Liberação ou Imortalidade, tornando-se uma estrela-guia de seus discípulos... e certamente dando continuidade ao Revirão da Criação em seu Eterno Retorno de Luz e de Não-Luz..., - seja que faça isso tornando-se um Bodhisattva, seja que se torne uma real estrela, seja que mantenha com sua Mente/Luz todo um sistema solar, toda uma galáxia, ou mesmo que dê início a um novo universo.

A Cosmologia Espiritual ou A Metafísica será tema cada vez mais conversado e vivenciado em nossas vidas no futuro. No Sítio das Estrelas, durante ou após o Retiro Espiritual O Caminho das Estrelas ou em comunicação escrita com as pessoas interessadas neste tema, são estas algumas das questões abordadas pelos Caminhantes.

... O Caminho é o Vazio...
(assim nos diz Lao Tse, o Mestre do Tao)

A Cosmologia Espiritual ou a Metafísica é o oásis onde podemos ter como sustentação de nosso pensamento o tema da Imortalidade ou Impermanência e do aprofundamento do conhecimento acerca da Mente e da Luz e Não-Luz: Do Vazio à Luz e ao Retorno à Não-Luz.


Textos a serem apresentados neste Trabalho:
Com um abraço estrelado,
Janine Milward





Em Busca da Luz



O texto abaixo Em Busca da Luz é de autoria de Janine Milward de Azevedo. Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na íntegra e mencionando sua autoria e créditos.As interpretações dos Capítulos do Tao Te Ching foram realizadas por Janine Milward de Azevedo e estruturadas no livro Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude – Lao Tsé – tradução do Chinês para o Português de Wu Jyh Cherng, Editora Ursa Maior, São Paulo
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Pergunta de Marcos - Janine , a luz é única mas pode ser observada de varias maneiras , tenho a minha e procuro entender e aprender como outras pessoas observam-na . Gostaria que você contasse um pouco sobre o caminho que você percorre para observar a luz . Qual a origem e quem transmitiu a você.
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Sitio das Estrelas, 14 de marco de 2004
Namaskar, eu saúdo você, Marcos, com minha mente e com meu coração!


Em Busca da Luz

Janine Milward de Azevedo

O Princípio Primordial - Consciência Cósmica Unitária e Consciência Cósmica Coletiva – A Criação – Do sutil ao denso e do denso ao sutil: O Retorno é o Movimento do Caminho – O Ciclo de Brahma - O Caminho da Iluminação e o Caminho da Imortalidade ou Liberação – aventureiro, caminhante e Caminhante – A Humildade – Prática Espiritual e Discernimento

A luz é única

A sua afirmação inicial é a única verdade da vida, ou seja, a Unidade, o Uno, o Absoluto. Esse é o Princípio Primordial que dá berço ao Tao da Criação, ou Deus, ou Paramapurusa, ou Consciência Suprema.
A Luz advém da Consciência Cósmica Unitária, da Suprema Consciência, do Tao da Criação, de Deus, de Paramapurusa e é espelhada na Criação através da Consciência Cósmica Coletiva, A Criação.

O Mundo da Não Manifestação – ou Céu Anterior – advém do Tao da Criação, ou Deus, ou Paramapurusa, ou Consciência Suprema...

O Tao – ou o Sem-Nome - não pode ser nomeado. Quando é nomeado, surge o Tao da Criação, ou Deus, ou Paramapurusa, ou Consciência Suprema, possuindo apenas interiorizacáo plena em sua absoluta unidade.
O Tao da Criação faz então nascer o Mundo da Não Manifestação (porque já pode ser nomeado). O Mundo da Não Manifestação existe apenas em seu estado de sutileza extrema e absoluta. A princípio, o Mundo da Não Manifestação é somente interiorizado – espelho do Tao da Criação, de Deus, de Paramapurusa, da Consciência Suprema.

No entanto, por já poder ser nomeado, o Mundo da Não Manifestação possui intrinsecamente um movimento que vai do extremo sutil, ä transformação mutativa até alcançar a crudificacáo, ou seja, vai da absoluta interiorizacao até a absoluta exteriorização.

Já em seu momento de transformação mutativa entre o sutil e a matéria, entre a interiorizacao plena e a exteriorização plena, o Mundo da Não Manifestação faz nascer o Mundo da Manifestação – ou Céu Posterior - .... que por sua vez faz nascer a plenitude da exteriorização do Tao da Criação, – que traz em si mesmo tanto a interiorizacao como a exteriorização.

Assim, existe A Luz plenamente interiorizada – a Consciência Cósmica Unitária (Shiva) – dentro do Mundo da Não Manifestação que se espelha e dá berço à Criação que é A Luz exteriorizada – a Consciência Cósmica Coletiva (Jiva) – dentro do Mundo da Manifestação.

A luz é única mas pode ser observada de varias maneiras

Assim, como você mesmo disse, Marcos, a luz é única mas pode ser observada de várias maneiras. O Mundo da Não Manifestação é único (porque advém do Tao da Criação, o Absoluto, o Uno). Porém, o Mundo da Manifestação (que também herda essa unicidade absoluta) espelha o Tao da Criação através do desdobramento múltiplo dessa luz, do Princípio Primordial. É o prisma – assim como o vemos no arco-íris...
Esse espelhamento é aquilo que conhecemos como Maya. Maya não é propriamente ilusão, e sim o espelhamento do Mundo da Náo-Manifestacao pelo Mundo da Manifestação. É o desdobramento, o desmembramento da Luz Única em suas várias cores e facetas, tons, semitons, nuances... Maya é o coletivo, a partir do Tao da Criação, que é uno. Assim, Maya é tanto a própria energia da Criação quanto o espelhamento (ilusão) da mesma.

Na verdade, existem Maya e Prakrti. Maya é a forca criativa e Prakrti é a energia cósmica operativa que efetivamente realiza a ação de criação.

Tenho a minha (luz)

Sim, Marcos, é claro que você tem a sua luz, como eu tenho a minha, como toda a natureza tem a sua luz. Todas essas luzes são espelhamentos do Princípio Primordial, da Luz Inicial. Todas essas luzes são o coletivo criado a partir de Maya, deslizando e condensando desde o sutil, através do mutativo, até a crucificação na matéria. Luz é matéria, não é mesmo?

No entanto, esse movimento triangular (que obviamente vai formando toda a natureza plenamente manifestada através da estrela de seis pontas, com o triângulo celeste mesclado ao triângulo terrestre), possui também – e principalmente - seu retorno.

Lao Tsé, o Mestre do Tao, nos diz que O Retorno é o Movimento do Caminho.
Esse Retorno é o movimento que sai da crucificação da matéria (do Mundo da Manifestação) em sua transformação mutativa até alcançar o sutil absoluto. É o chamado Retorno à Fonte Primordial (o Mundo da Não Manifestação ).

Do sutil ao denso, da interiorizacao à exteriorização, da unidade da Consciência Cósmica à coletividade da Consciência Cósmica. E seu retorno, do denso ao sutil, da exteriorização à interiorizacao, da coletividade à unidade.

Srii Srii Anandamurti, o Mestre do Tantra (Tantra quer dizer libertar-se da escuridão da ignorância) , nos diz que a única meta do homem (aquele que possui mente expandida e iluminada – a consciência) é fusionar-se com Paramapurusa, com Deus, com o Tao da Criação, com a Consciência Suprema, é retornar `Fonte Primordial.

e procuro entender e aprender como outras pessoas observam-na. (a luz)

A meu ver, existem várias maneiras de se observar a luz. Os dois Mestres acima citados, Lao Tsé e Srii Srii Anandamurti, são unanimes em dizer que a melhor maneira é através da Meditação. Também a oração e todas as (saudáveis) formas de elevação espiritual.

No entanto, a própria maneira de viver também é extremamente importante. Tanto que Lao Tsé escreve seus 81 Capítulos e os nomeia de O Tao e o Te, o Caminho e a Virtude. O Tao é o Caminho entre o Céu e a Terra, entre o Mundo da Náo-Manifestacao e o Mundo da Manifestação. O Te é a Virtude, a maneira, a forma como vivenciamos e trilhamos esse Caminho.

Para tanto, a melhor maneira de se observar a luz é desenvolvermos nossa mente em consciência infinita e iluminada – esse é o Caminho da Iluminação. É o retorno da Consciência Cósmica coletiva à Consciência Cósmica unitária.

Assim, ao bem elaborarmos em nossas vidas o Tao e o Te – em nosso Trabalho de Encarnação e em nosso Trabalho Espiritual – poderemos enxergar a Luz – que é a manifestação máxima do Mundo da Manifestação. E ingressarmos no Vazio – que é a manifestação inicial do Mundo da Não Manifestação.

Gostaria que você contasse um pouco sobre o caminho que você percorre para observar a luz
Dentro da multiplicidade de caminhos que existem a partir do Caminho Inicial, do Uno, do Tao da Criação, devemos trilhar aqueles que nosso coração vai nos apresentando. É preciso aprendermos a confiar em nossas verdades interiores e irmos re-conhecendo essas verdades dentro de alguns caminhos que escolhemos para percorrer.

Você, Marcos, nitidamente tem me mostrado que seu coração tem o levado a percorrer os caminhos da cristandade pura, da filosofia cristã e da religiosidade cristã primordial, autentica e séria.

Eu, por outro lado, conservo da cristandade os corações e mentes de Francisco e Clara, e o respeito profundo ao Mestre Jesus (que aparentemente é o único Imortal que vimos ascensionar aos céus em seu Caminho da Liberação ou da Imortalidade). Também – e por ser mulher – conservo da cristandade a alegria de Maria ao se tornar mãe do Mestre e a tristeza de sua perda na Terra – para vê-lo ascender aos Céus.... No entanto, sinto-me profundamente envolvida pelas verdades contidas através das palavras simples (e um tanto complicadas) de Lao Tsé, o Mestre do Tao, e profundamente emocionada pela energia de trabalho espiritual e social e de compreensão e revelação das verdades através as palavras um tanto complicadas (e simples) de Srii Srii Anandamurti, o Mestre do Tantra...

Qual a origem e quem transmitiu a você

Desde bem cedo em minha vida, fui estudar em um colégio de freiras católicas em Nova Friburgo, RJ, aonde nasci, as Dorotéias e o Colégio Nossa Senhora das Dores, e lá aprendi um tanto sobre a cristandade dentro do catolicismo. A partir dos meus anos vinte e trinta, eu desenvolvi um grande amor por Francisco e Clara de Assis, principalmente por suas vidas de trabalho e de doação, de compaixão, de humildade e de amor pela humanidade. A partir dos meus anos quarenta, eu encontrei o Tao primordial, através das aulas dos Capítulos do Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude, de Lao Tsé, ministradas por um monge chamado Wu Jyh Cherng, o tronco da Sociedade Taoísta do Brasil, no Rio de Janeiro. Quase no final nos meus anos quarenta, já em Mar de Hespanha, eu encontrei o Tantra primordial, com a vinda dos monges da Ananda Marga, organização espiritual e social fundada e trabalhada por Srii Srii Anandamurti, o Baba. Os monges vieram inicialmente para as aulas de Yoga que se estenderam em Retiros Espirituais aqui mesmo, no Sítio das Estrelas. Era sempre eu quem dava pousada aos monges e sempre, sempre, conversávamos muito em infindáveis jantares e apressados cafés-da-manhã, após a meditação matinal e antes do retorno à vida em seu cotidiano de trabalho....

Também durante toda minha vida eu venho sendo extremamente autodidata em meus estudos como um todo, lendo muito, pensando muito, trabalhando muito, tentando me lapidar de diamante bruto até conseguir meu corpo diamantino, quem sabe, ainda nesta vida... É uma longa estrada, realmente.... Lao Tsé nos diz que Uma Longa Jornada começa com o Primeiro Passo... Srii Srii Anandamurti nos diz que A Vida é Curta. Portanto, devemos realizar nosso trabalho espiritual em sua totalidade, sem perda de tempo....
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Mas, ouça-me com atenção, Marcos (ou leia-me), é muito difícil a gente realmente definir quando tudo começou e por que ... ou quem ou o que teria transmitido a luz.

Tudo isso pode realmente acontecer a partir de nós mesmos, de nosso desejo interior, de nossa verdade interior, de nossa intenção interior de retornar `a Fonte Primordial! É certo que aprendemos ao longo de nossa vida com a literatura, com as pessoas, com as situações, com a oração, com a meditação.... No entanto, temos que ter nosso corações completamente abertos ao Caminho. E é preciso caminharmos com a consciência de estarmos realmente caminhando – de outra forma estaremos apenas sendo aventureiros e não caminhantes ou Caminhantes.... entende?

O caminhante é aquele que ainda está em busca do caminho, da trilha a tomar em direção ao Caminho, já tentando expandir sua mente em Consciência. O caminhante diz = Eu procuro. Muitas vezes, o caminhante não percebe que precisa trabalhar-se espiritualmente, esforçar-se realmente, praticar verdadeiramente a espiritualidade e não apenas percebe-la intelectualmente ou racionalmente. O caminhante ainda possui Consciência Cósmica coletiva porém já é sabedor da Consciência Cósmica unitária.

O Caminhante é aquele que já se encontra trilhando seu Caminho da Iluminação, conscientemente. O Caminhante diz: Eu não procuro, eu acho. O Caminhante já lapida sua Consciência Cósmica coletiva para se tornar uma Consciência Cósmica Unitária.

O aventureiro – mesmo que aparentemente esteja em busca da trilha, do caminho - ainda não tem consciência do verdadeiro Caminho e nem procura transmutar sua mente em Consciência (apesar de lapidar seu intelecto). O aventureiro não tem noção sobre Consciência Cósmica, coletiva ou unitária. O aventureiro, muitas vezes, formula a pergunta porém não se interessa pela resposta ou não a ouve, menos ainda a escuta. O aventureiro não apenas rejeita o conhecimento espiritual que pode chegar até ele como também tenta impedir que outras pessoas ao seu redor possam recebe-lo. Outra forma de ser do aventureiro é sair por aí em busca de aventuras espirituais, novidades, modismos.

É claro que estas três descrições merecem suas gradações de acordo com os diferentes níveis de conscientização.

Certamente sabemos que todos possuem (porque são parte intrínseca) a Consciência Cósmica Unitária como a Consciência Cósmica Coletiva. A questão é: Existe ou não essa conscientização?

Assim, o aventureiro precisa se cuidar para não se iludir e com isto, perder a oportunidade de se realizar em seu trabalho de encarnação e de espiritualidade, nesta vida.

O caminhante precisa manter sempre a mente bem aberta transmudando-a em consciência... para não estacionar em pré-conceitos, preguiça, desanimo, carência de fé e perder o bom andamento de seu Caminho.
O Caminhante precisa sempre ser atento às suas ações e às possíveis reações (reações em potencial) em sua vida – Karmas e Samskaras. A verdade é que, na trilha do Caminho da Iluminação – diferente do que se normalmente pensa – a vida fica bem mais difícil, as vicissitudes se apresentam todas, os Karmas e os Samskaras precisam ser vivificados e sanados, as pedras do caminho se mostram para serem analisadas através do bom discernimento para que os obstáculos sejam ultrapassados sem que o Caminhante seja desviado de seu Caminho de Luz.

Talvez a Humildade (a maior das Virtudes, segundo Lao Tsé) seja o fiel da balança entre esses três momentos... O caminhante tenta trabalhar sua humildade. O Caminhante é a própria humildade. O aventureiro desconhece a humildade e se a usa, pratica-a apenas como capa, como persona encobridora de sua (ainda) maneira de ser.

Em seu Capítulo 17 do Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude, Lao Tsé nos fala sobre estes estados do Caminhante, como segue:


Do supremo, o inferior tem apenas ciência da existência
Do estado que o sucede, intimidade ou admiração
Do estado seguinte, temor ou desprezo
Não havendo suficiente confiança, surge a desconfiança
Quem valoriza a palavra, realiza a obra sem deixar rastros
Assim, o povo achará que surgiu por si, naturalmente.

A verdadeira confiança surge da verdadeira espiritualidade – que Lao Tsé, neste Capítulo 17, chama de ‘a palavra’. Valorizando a espiritualidade, o Homem Sagrado realiza sua vida de Trabalho e de Iluminação neste Planeta, com verdadeira humildade – virtude máxima do Tao e do Te, o Caminho e a Virtude. Nesse caso, aqui também ‘a palavra’ surge como aquela que parte do Mestre e do Tesouro do Espírito, o Conhecimento das verdades do Céu e da Terra.

Por isso, o Mestre nos diz que o Homem Sagrado ‘realiza a obra sem deixar rastros’ bem como em vários outros Capítulos também teremos a oportunidade de nos depararmos com o conceito da plenitude da realização dentro da absoluta humildade.

Por que? Porque, Assim, o povo achará que surgiu por si, naturalmente.

A humildade, ou seja, realizar seu trabalho de encarnação e seu trabalho espiritual como a meta fundamental de seu Caminho, sem buscar reconhecimento nem louvores. É o Wu Wei, a não ação, a ação praticada naturalmente, por ela mesma, simplesmente. Para alcançarmos a verdadeira humildade em nossa verdadeira forma de ser, é preciso que já realmente estejamos trilhando nosso Caminho rumo ao nosso Tao, rumo à nossa Iluminação, à nossa consciência infinita e iluminada.

E, seguindo adiante no Caminho, é também – e principalmente – com a humildade que poderemos transmutar nosso corpo físico, nosso Caldeirão, em Corpo de Luz.... para podermos trilhar, finalmente, nosso Caminho da Liberação ou Imortalidade.

Como vimos, então, o trabalho de encarnação e o trabalho espiritual nos expandem a consciência em sua infinitude e em sua iluminação e a vida em sua infinitude e em sua iluminação.... porém, a cada degrau dessa escada, a cada passo dessa longa jornada, vivenciamos a alegria suprema e a tristeza suprema... Para tanto, é bom nos mantermos sempre no Caminho do meio, vivendo a cada dia um novo dia, andando a cada passo um novo passo, praticando a naturalidade da ação – a Não Ação – e purificando nosso coração ao mesmo tempo que buscando o bom discernimento de nossas ações de forma que estas não criem reações negativas.
De uma forma geral, ao buscarmos – e conseguirmos – vivenciarmos a vida através do bom discernimento guiando nossas ações, estaremos praticando nosso Dharma, ou seja, nossa própria natureza, nossos deveres na vida; assumirmos a característica essencial de nós mesmos.

As boas ações são como sementes sendo espalhadas e plantadas a cada instante - boas ações que nos trazem boas reações, bons Karmas e bons Samskaras. No entanto, o desejo de nossa alma é que nos tornemos Sementes Queimadas (Daghdabiija), ou seja, as ações sendo realizadas na mais plena ausência de intenções e portanto, não criando quaisquer reações ou Samskaras. Assim, estaremos prontos para a Iluminação e a Liberação.

A Iluminação pressupõe mente, consciência, infinita e iluminada. A Liberação ou Imortalidade, pressupõe vida infinita e iluminada. São um só Caminho, desmembrado em dois Caminhos, um anterior e outro posterior. E ambos os Caminhos somente podem ser realizados dentro da encarnação... e não fóra – não importando quantas vidas, quantas encarnações sejam necessárias para a realização do caminho espiritual em sua completude, em sua plenitude.... Não podemos nos esquecer de apenas levamos conosco, em nosso espírito, em nosso Trem da Vida, de uma vida para outra, aquilo que ficou marcado em nossa mente. Dessa forma, a expansão iluminada e infinita da mente – a Consciência – se faz absolutamente imprescindível na encarnação.

Luz é matéria, volto a repetir. No entanto, a Luz advinda do Tao da Criação cristaliza-se na densidade, no mundo da matéria, no Mundo da Manifestação, porém essa Luz existe realmente no mundo sutil, no Mundo da Não Manifestação...

A Luz advém da Consciência Cósmica Unitária, da Suprema Consciência, do Tao da Criação, de Deus, de Paramapurusa e é espelhada na Criação através da Consciência Cósmica Coletiva, A Criação.

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Em uma outra mensagem sua, Marcos, você me disse que bem recentemente, viu uma luz diferente por sobre a mesa de sua sala de refeições...

Certamente já existiram no passado outras vezes em que você esteve envolvido em situações mais espiritualizadas e existirão no futuro outras vezes em você estará envolvido em situações mais espiritualizadas.... Tudo isso faz parte do Caminho.

No entanto, é preciso que tenhamos o bom discernimento para julgarmos se essas situações são reais ou apenas ilusórias – em primeiro lugar. E em segundo lugar, termos o bom discernimento para julgarmos o quanto tudo isso tem de importância em relação às nossas verdades interiores, ao nosso crescimento espiritual, à nossa vida como um todo. É preciso que tenhamos um bom discernimento no balanceamento entre razão e coração.

Uma coisa é certa: apenas nós mesmos somos quem verdadeiramente sabe de nossas verdades. Certamente que um Mestre - um Mestre Iluminado e talvez Liberado -, pode também saber de nossas verdades.

Finalmente, Marcos, gostaria de dizer a você algo simples como: um mestre pode mostrar o Caminho a você.... porém somente você poderá caminhar seu Caminho. Este é o trabalho espiritual bem como este é o trabalho de encarnação. Não se esqueça de que estamos encarnados neste belo Planeta Terra, Estação de Trabalho e de Iluminação, para o nosso Trem da Vida nos transmutar de simples Passageiros dos Vagões a Motorneiros da Locomotiva.... O Passageiro vive a partir de sua mente. O Motorneiro vive a partir de sua Consciência.
A Terra é um lugar plenamente propício para caminharmos nosso Caminho da Iluminação e, em seguida, nosso Caminho da Liberação ou Imortalidade. Mente expansionada em Consciência infinita e iluminada. Corpo físico transmutado em Corpo de Luz Vida finita transmutada em vida infinita e iluminada.

Com um abraço estrelado,
Janine Milward

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O texto acima Em Busca da Luz é de autoria de Janine Milward de Azevedo. Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na íntegra e mencionando sua autoria e créditos. As interpretações dos Capítulos do Tao Te Ching foram realizadas por Janine Milward de Azevedo e estruturadas no livro Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude – Lao Tsé – tradução do Chinês para o Português de Wu Jyh Cherng, Editora Ursa Maior, São Paulo
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BABA NAM KEVALAM
A Consciência suprema a tudo permeia

Janine Milward de Azevedo

Sendo Poeira de Estrelas, podemos voltar a ser uma Estrela?


O texto abaixo é de autoria de Janine Milward de Azevedo e extraído de seu livro Aonde a Cobra Morde a Cauda – direitos reservados 2004. Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na íntegra e mencionando sua autoria e seus créditos.

Sendo poeira de estrela, podemos voltar a ser uma Estrela?

Janine Milward de Azevedo

Tempo e Espaço, Constância e Duração - A Eterna Mutação: re-encarnação das Estrelas – Ouro: material escasso no universo e abundante na Terra, estação de Trabalho e de Iluminação – Infinitização e Iluminação da Consciência – Infinitização e Iluminação da Vida – A Alquimia do Caldeirão: transmutação do corpo físico em Corpo de Luz

"O céu é constante, a terra é duradoura
O que permite a constância e a duração do céu e da terra
É o não criar para si
Por isso são constantes e duradouros.
Assim,
O Homem Sagrado deixa seu corpo para trás e o Corpo avança
Além do corpo, o Corpo permanece
Através do não-corpo, conclui o Corpo"
(Lao Tsé, Tao Te Ching, O Livro do Caminho e da Virtude, Capítulo 7)


Tempo e Espaço, Constância e Duração

O tempo existe fazendo com que o céu seja constante. O espaço da matéria e da anti-matéria existe um dia, não existe outro, volta a existir no outro dia fazendo com que a terra seja duradoura.

Ambos apenas existem e se existem dentro da constância e da duração é porque apenas criam, criam todo o universo, toda a natureza, todos os seres... mas não criam para si... apenas criam. E porque apenas existem e criam são constantes e duradouros.

Nosso universo como o conhecemos um dia teve o seu começo e um dia terá seu fim. Estamos apenas em seus dias de adolescência, é verdade. Porém chegará o tempo em que não mais existirão estrelas e o universo será uma imensa vastidão de Vazio ao apagar de todas as Luzes.

Possivelmente, esse Vazio, como uma semente, renasce criando um novo universo, em um novo big bang – dentro da imensa vast5idão do pluriverso do Tao da Criação.

A Eterna Mutação: re-encarnação das Estrelas

Quando uma estrela explode ejeta na Galáxia gases e partículas que em algum tempo e em algum espaço se condensarão e formarão outra estrela com seus planetas girando em torno de si e, quem sabe, gerando vida... Assim, elementos leves e elementos pesados se fundem alquimicamente fazendo e refazendo, criando e re-criando, numa re-encarnação quase eterna, a natureza, os seres, nós.

Somos, então, poeira de estrelas. Em nossos ossos, nossas veias, nossa carne, todo nosso corpo, estão re-encarnados os elementos químicos provenientes de estrelas que viveram antes de nós e que morreram e ao morrerem, nos proporcionaram a vida tal como a vivemos e conhecemos.

Sendo poeira de estrelas, temos em nosso corpo e consequentemente em nossa mente, guardados toda a herança deixada pelas estrelas nossas antecedentes, como uma árvore genealógica da galáxia, do universo em que vivemos. Assim, existe dentro de nós e em nós o passado, o presente e o futuro, tudo dentro de nossa vida, numa mesma simultaneidade do universo.

Assim é o nosso corpo dentro do tempo e do espaço em que existimos. No entanto, sendo poeira de estrelas, podemos voltar a ser uma estrela?

Ouro: material escasso no universo e abundante na Terra, estação de Trabalho e de Iluminação

Nosso Planeta, a Terra, é extremamente rico, como sabemos. Rico por permitir aqui a possibilidade da vida acontecer, assim como a conhecemos. No entanto, é a Terra ainda mais rica do que imaginamos em função do fato de dessa terra extrairmos o ouro. O ouro é um material escasso em todo o universo e que existe abundantemente em nosso Planeta – mesmo que não seja reconhecido como abundante, daí seu imenso valor...
Assim, sendo a Terra um lugar absolutamente perfeito para a materialização da natureza e encarnação dos seres e da existência da vida assim como a conhecemos, simplesmente pelo fato de possuir tanto ouro, torna-se mais importante ainda em seu status de Estação de Trabalho e de Iluminação!

Portanto, não apenas somos poeira de estrelas como também em nossas veias e em nossas mentes correm os veios da riqueza material e objetiva do ouro – através do Trabalho de Encarnação... bem como os veios da riqueza espiritual e subjetiva do ouro – através dos Caminhos da Iluminação e da imortalidade.
Também por possuir ouro, é a Terra um lugar de iluminação. E quando acontece o Caminho da Imortalidade e Liberação, é ainda o ouro aquele que traz sua luz objetiva ao Corpo de Luz subjetivo.

Infinitização e Iluminação da Consciência – Infinitização e Iluminação da Vida

A esta altura, podemos então nos perguntar:. que dentro de nós certamente pertence à totalidade desse universo, que com ele junto nasceu, que anteriormente a ele já existia e quando ele morrer, não morrerá e junto com a semente que restou do universo que findou, explodirá em um novo universo?

- O espírito do Tao.

O Espírito do Tao que gera o Tudo dentro do Nada e que cria o Todo... esse espírito vive em cada tempo e espaço do universo que conhecemos. Esse espírito vive na Terra, no Sol, na Lua, na Galáxia, nas outras estrelas, nas outras Galáxias, em mim, em você.

A consciência expandida significa a assunção do Espírito do Tao através do Caminho da Iluminação, inicialmente, e posteriormente através do Caminho da Imortalidade ou Liberação.

Trilhar esses caminhos significa trabalhar o corpo - herança da re-encarnação das estrelas do universo - para nele conter não apenas uma parte do Todo do Universo mas também o Tudo e o Nada gerados pelo Tao através do Espírito.

"Assim,
O Homem Sagrado deixa seu corpo para trás e o Corpo avança
Além do corpo, o Corpo permanece
Através do não-corpo, conclui o Corpo"

O Homem Sagrado é aquele que já alcançou a Iluminação, possuindo, portanto, consciência iluminada e infinita, sabedora de sua herança da re-encarnação das estrelas do universo e contenedora do Espírito do Tao.

"O Homem Sagrado deixa seu corpo para trás e o Corpo avança"

A Alquimia do Caldeirão: transmutação do corpo físico em Corpo de Luz

Tendo alcançado o Caminho da Iluminação, o Homem Sagrado passa a trilhar o Caminho da Liberação ou Imortalidade, realizando em si mesmo, como um todo, a Alquimia do Caldeirão. Esse corpo feito de poeira de estrelas, já contendo em si mesmo a consciência iluminada e infinita, busca trazer para si mesmo a Luz dessas estrelas da qual faz parte - dentro da simultaneidade do universo.

Luz é matéria. Trazer a Luz à matéria do corpo é o trabalho realizado dentro do Caminho da Imortalidade ou Liberação. O Homem Sagrado, ao se aproximar e se fusionar mais e mais com o Espírito do Tao, gera e cria para si mesmo sua própria Luz, como se, pouco a pouco, fosse se tornando uma estrela, voltando a ser uma estrela, fazendo seu corpo acompanhar a Luz que já existe de forma subjetiva em sua consciência expandida, infinita e iluminada pela Luz do Tao.

"Além do corpo, o Corpo permanece"

Este processo alquímico vai acontecendo de forma que o corpo físico vai sendo "tomado" pela Luz que o ilumina, fazendo-o então tomar a forma de um Corpo de Luz. Esse Corpo de Luz é constante enquanto o corpo é duradouro.

"Através do não-corpo, conclui o Corpo"

Finalmente, o corpo físico, poeira de estrelas, herdeiro da re-encarnação das estrelas do universo, já plenamente fusionado à Luz do Espírito do Tao, deixa de ser corpo - agora é o não-corpo - concluindo o Corpo, o Corpo de Luz, o Corpo Espiritual.

O Corpo de Luz do Homem Sagrado traz em si mesmo O Tao, O Caminho, e A Virtude, o tempo e o espaço, o céu e a terra, a constância e a duração e retorna à sua fonte primordial, volta a ser uma estrela.
(Uma estrela espiritual, certamente, pertencente ao Mundo da Não-Manifestação, pronta a ser materializada no Mundo da Manifestação)

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O texto acima é de autoria de Janine Milward de Azevedo e extraído de seu livro Aonde a Cobra Morde a Cauda – direitos reservados 2004. Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na íntegra e mencionando sua autoria e seus créditos.

Namaskar!
(eu saúdo você com minha mente e meu coração)

BABA NAM KEVALAM
A Consciência suprema a tudo permeia
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 Janine Milward de Azevedo

O Tudo e o Nada e o Todo


O Texto abaixo O Tudo, O Nada e O Todo
é de autoria de Janine Milward de Azevedo e estruturadas na tradução do chinês para o português realizada por Wu Jyh Cherng, no livro Tao Te Ching, O Livro do Caminho e da Virtude, Editora Ursa Maior, São Paulo - hoje publicado pela Editora Mauad, São Paulo. 
Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na íntegra e mencionando sua autoria e créditos. Namaskar.



O Tudo e O Nada e o Todo

Janine Milward de Azevedo

O Eterno Retorno - Mutação e Não-Mutação – Existência e Não-Existência - O Mundo da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação (Wu Chi e Tai Chi) - Totalidade e Unidade - Fim e Começo – Constância e Duração – O Vazio


Eu penso que sempre Lao Tsé, o Mestre do Tao, é quem melhor nos responde a todas nossas questões. Assim ele faz através de vários Capítulos de sua obra maior, O Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude. 

Alguns desses belíssimos poemas serão transcritos abaixo juntamente com minha interpretação sobre os mesmos, de forma a exemplificar minha tentativa de compreensão sobre o Mundo da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação.

Em seu Capítulo 40 do Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude, o Mestre do Tao, Lao Tsé, nos diz:


O retorno é o movimento do Caminho
A suavidade é a atuação do Caminho
Os seres sob o céu nascem da existência
E a existência nasce da não-existência

O Tudo é aquilo que pertence ao Tao, ao Caminho. O Tao primordial gera o Tao da Natureza que por sua vez cria o Tudo. Sendo assim, desse Tudo podemos apenas compreender sobre o Todo, ou seja, sobre a parte que pertence àquilo que foi criado advindo do Tudo.


Os seres sob o céu nascem da existência
A existência é o Todo.
E a existência nasce da não-existência

A não-existência é o Tudo. Ela se chama não-existência não por não existir e sim por existir ainda antes da própria existência, certamente em outra dimensão diferente da dimensão que conhecemos como pertencente à existência.

A existência pertence ao Mundo da Manifestação e a não-existência já faz parte dos domínios do Mundo da Não-Manifestação.

O Todo é o próprio Mundo da Manifestação enquanto que o Tudo é advindo do Mundo da Não-Manifestação.

Dentro da co-relação entre esses dois mundos, existe o Eterno Retorno, a constante mutação, aquilo que propicia o Fim e o (re) - Começo.

O Fim é algo pertencente apenas ao Mundo da Manifestação, ou ao Todo. O Todo tem, um dia, o seu final.
Dessa forma, o Nada trafega entre os Mundos da Manifestação e da Não-Manifestação porque é o determinante do Eterno Retorno, da constante mutação a partir da instalação do Vazio Absoluto.

O Nada ou o Vazio, é aquilo que determinará o re-preenchimento do Todo a partir do Tudo. O Tudo é infinito, interminável, absoluto, eterno em sua eterna eternidade. O Tudo é filho do Tao da Natureza.
O Tudo é filho do Tao da Natureza e o Todo é filho do Tudo. E o Nada - ou o Vazio -, faz a ponte entre ambos, é a necessidade que se coloca para o (pretenso e aparente) preenchimento deste Nada ou Vazio.
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Ainda sobre o Tudo e o Todo e seu ponteamento a partir do Nada, Lao Tsé nos diz em seu Capítulo 7:
O céu é constante, a terra é duradoura
O que permite a constância e a duração do céu e da terra
É o não criar para si
Por isso são constantes e duradouros

Assim, o céu é a expressão simbólica do Tudo, que é constante. E a terra é a expressão simbólica do Todo, que é duradouro. O fato de ambos "não criarem para si" é que faz surgir o Nada, ou seja, entre a duração do Todo e a constância do Tudo, existe o Fim e o Começo, existe a Eterna Mutação, o Eterno Retorno.

Um dia, nosso universo teve seu começo, hoje ele vive, e um dia ele haverá de terminar. Sendo o universo nossa alma coletiva, um dia esse universo simbolizado em Mundo da Manifestação, ao terminar, re-lançará nossa alma coletiva ao Mundo da Não-Manifestação através da ponte do Nada ou Vazio Absoluto.

A partir do Nada ou Vazio Absoluto, o Tudo providenciará (advindo do Tao da Natureza) o re-começo do Todo, instaurando um novo Mundo da Manifestação através de um novo universo que surja a partir (possivelmente) de um buraco negro do universo anterior que se tornou a semente a explodir e fazer nascer o novo universo.... Este é o Eterno Retorno.

Tudo sempre está em eterna mutação sob o Tao da Natureza. A única possibilidade de Não-Mutação é a própria realidade da eterna mutação.
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Lao Tsé, o Mestre do Tao, através do seu Capítulo 1 do Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude, nos fala, com a mais pura transparência, sobre O Tao, O Caminho, em seu Mundo da Não-Manifestação e seu Mundo da Manifestação, que ele denomina de Sem-Nome e Com-Nome.

O Caminho que pode ser expresso não é o Caminho constante
O nome que pode ser enunciado não é o Nome constante
Sem-Nome é o princípio do céu e da terra
Com-Nome é a mãe das dez mil coisas

Os conceitos fundamentais e estruturais para uma melhor compreensão do Tao e do Livro do Caminho e da Virtude, já são apresentados no Capítulo 1 em sua primeira estrofe.


Primeiramente, Lao Tsé nos diz que não existe linguagem possível que possa alcançar a verdadeira essência do Tao, ou seja, o verdadeiro Tao está além de qualquer linguagem, bem como além de qualquer possibilidade de manifestação tanto do consciente quanto do inconsciente.


Jacques Lacan, discípulo direto de Freud e filósofo e psicanalista, nos disse que: "O inconsciente é estruturado como uma linguagem". Assim, é possível que o inconsciente seja acessado e decodificado - como acontece com a linguagem.


Quanto ao Tao, no entanto, nada, nada, pode verdadeiramente denominá-lo. Nem todo o inconsciente que traz à tona toda a sabedoria e conhecimento do universo pode falar acerca da realidade do Tao.
Sendo o Tao a única possível constância do Todo e do Tudo, a única possível realidade que é imutável, Lao Tsé a Ele se refere como impossível de se referenciar. Quando algo semelhante ao Tao é referenciado, já não é o Tao verdadeiro, é apenas algo que se pode referenciar como Tao, como O Caminho.


O Caminho que pode ser expresso não é o Caminho constante
O nome que pode ser enunciado não é o Nome constante

Não podendo ser referenciado de nenhuma forma, do Tao parte o princípio criador e formador de todas as coisas. Esse princípio, primordialmente, ainda é a não-vida, a não-existência, a não-forma, a não-realidade - que dá berço à vida, à existência, à forma, à realidade. Esse é o Wu Chi, o Mundo da Não-Manifestação, onde o Tudo e o Todo - o céu e a terra - são gestados ainda dentro do Ventre do Tao.

Sem-Nome é o princípio do céu e da terra

Sem-Nome, então, é o Wu Chi, O Mundo da Não-Manifestação que dá criação ao Tudo e ao Todo, o Mundo da Manifestação, Tai Chi.

O Mundo da Manifestação, Tai Chi, inclui o Tudo e o Todo advindos do Mundo da Não-Manifestação..
No entanto, o Tudo faz ainda parte da idéia de totalidade advinda do Tao do Mundo da Não-Manifestação. O Todo faz parte da idéia da totalidade advinda do Tao do Mundo da Manifestação. O Tudo ainda é indefinível enquanto o Todo já pode ser definido e identificado. Assim, O Todo adquire um nome.


Com-Nome é a mãe das dez mil coisas

Dessa maneira, na primeira estrofe do Capítulo 1 Lao Tsé nos apresenta o Tao e a total impossibilidade de se falar sobre Ele em sua essência. Quando alguma linguagem passa a se referir sobre o Tao, então, já não é mais o Tao essencial e sim, o Tao através de alguma forma ou linguagem. Também nessa primeira estrofe, Lao Tsé nos introduz á estrutura da formação do Tudo e do Todo do qual somos parte: o Wu Chi, O Mundo da Não-Manifestação e o Tai Chi, O Mundo da Manifestação - conceitos fundamentais e estruturais de compreensão da verdadeira natureza do céu e da terra.

Com um abraço estrelado,
Janine Milward

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O Texto acima O Tudo, O Nada e O Todo
é de autoria de Janine Milward de Azevedo e estruturadas na tradução do chinês para o português realizada por Wu Jyh Cherng, no livro Tao Te Ching, O Livro do Caminho e da Virtude, Editora Ursa Maior, São Paulo. Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na íntegra e mencionando sua autoria e créditos. Namaskar.

As interpretações dos Capítulos do Tao Te Ching foram realizadas por Janine Milward de Azevedo e estruturadas no livro Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude – Lao Tsé – tradução do Chinês para o Português de Wu Jyh Cherng, Editora Ursa Maior, São Paulo - hoje publicado pela Editora Mauad, São Paulo.

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BABA NAM KEVALAM
A Consciência suprema a tudo permeia
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 Janine Milward de Azevedo