O texto abaixo é de autoria de Janine
Milward de Azevedo e extraído de seu livro Aonde a Cobra Morde a Cauda –
direitos reservados 2004. Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na
íntegra e mencionando sua autoria e seus créditos.
Universo: Criação e Vida
Parte I
Cosmologia Física
Janine Milward de Azevedo
As Idades do Universo – Quem Herdará o
Universo?
As Idades do Universo
texto baseado numa tradução e síntese
da autora, Janine, sobre o texto "The Future of the Universe",
autoria de Fred C. Adams e Gregory Laughlin, publicado pela Revista
Sky&Telescope, edição de agosto de 1998, páginas 32 a 339 – Sky Publishing
Co. Cambridge, MA, USA. O título "As Idades do Universo" foi usado
pelos autores em seu Livro sobre o mesmo tema.
Era do Universo Inflacionário – Era da
Dominação da Radiação – Era Estelífera – Era da Degeneração – Era do Buraco
Negro – Era da Escuridão
Antes de mais nada, é preciso partirmos
do ponto de vista relativo ao tipo de universo em que estamos vivendo: universo
fechado, universo plano ou universo aberto. O universo fechado prevê um colapso
do universo em si mesmo. O universo aberto prevê um universo que expande
infinitamente. O universo plano faz um balanceamento entre os universos fechado
e aberto, ou seja, o universo se expandiria para sempre porém quase que
imperceptivelmente, como se em algum momento, desse uma aparente parada.
Se entendermos nosso universo tendo seu
início a partir do big Bang, podemos contar sua história de nascimento, vida e
morte (aparente morte desde que o universo sobre o qual estamos falando –
universo aberto – teria acesso a um tempo infinito)... e provável renascimento
a partir de seu suposto final... porque certamente muitos universos pipocam
dentro daquilo que poderemos denominar de multiverso ou pluriverso.
Logo após o Big Bang, tempo e espaço
têm seu verdadeiro começo, como personagens de uma grande peça divina, a
tomarem seus lugares em nosso cenário fundamental, nosso universo, passando a
realizar o drama da criação: o universo se torna incrivelmente quente e denso,
"inflacionando" a expansão do espaço. É a Era do Universo
Inflacionário.
Essa era é seguida pelo prosseguimento
da expansão cósmica porém em ritmo não tão acelerado quando em seu principio. É
a Era de Predominância da Radiação no Universo, quando começaram as interações
complexas entre as partículas trazendo um mal-balanceamento entre matéria e
anti-matéria, que acabaram aniquilando-se a si mesmas, deixando para trás um
pequeno resíduo de excesso de matéria que acabou formando o universo que hoje
conhecemos. Essa ‘sopa’ primordial do universo rapidamente se esfriou,
sintetizando o núcleo dos elementos leves, como hidrogênio, deutério, hélio e
lítio.
A Era da Dominação da Radiação tem seu
final no momento em que a densidade de energia da radiação leve tornou-se menor
do que a densidade de energia (a massa) da matéria e o universo começou a
esfriar o suficiente para fazer com que todos os átomos (especificamente os
átomos de hidrogênio) pudessem se formar e viver – o que antes seria impossível
devido às altas temperaturas. Como o gás hidrogênio é transparente, seu vôo
livre através da radiação, trouxe luz, transparência, a um universo que até
então era opaco.
Dessa forma, parece ter acontecido um
tempo in-between, tempo de interregno, entre as Eras da Dominação da Radiação e
a Estelífera – um tempo de trevas... aprontando-se para se tornar um tempo de
luz.
Dando
início à Era Estelífera, as primeiras galáxias apareceram e começaram a se
organizar em aglomerados, superaglomerados e grandes massas. Dentro dessas
galáxias, a formação de estrelas passou a existir numa enorme proporção. Muitas
galáxias jovens experienciaram acontecimentos dramáticos em relação aos seus
devoradores buracos negros centrais que partiram estrelas ao meio,
circundando-as com discos de gás quentíssimo em suas órbitas. Esse gás
interestelar é o responsável pela sustentação e formação de novas estrelas
possibilitando a retenção do suprimento da matéria-prima para tal formação. Com
o tempo, a maioria desses quasars e núcleos ativos das galáxias se extinguiram.
Nosso Sol e nosso sistema solar foram formados mais tarde, cerca de 4.5 bilhões
de anos atrás, depois que a Via Láctea já existia por um bom tempo. No entanto,
nossa Galáxia parece pertencer à segunda geração de formação de estrelas, já
produzindo material mais pesado com variedade de elementos. (Nossa Terra possui
ouro, material realmente escasso no universo conhecido).Com o declínio da Era Estelífera, a formação das estrelas começará a cessar, mesmo que vagarosamente. Todas as reservas de gás de hidrogênio estarão terminadas, fazendo, dessa forma, que todas as formações padrão de estrelas sejam também terminadas para sempre.
A Era Estelífera terminará quando a última estrela se apagar. No entanto, devemos estar comemorando apenas cerca de 14 bilhões de anos de vida, quase uma festa com baila para uma adolescente de quinze anos... Porém, um dia, cerca de 100 trilhões de anos à frente, não haverão mais estrelas no céu... Sem mais qualquer estrela brilhando, nosso universo estará entrando na Era da Degeneração.
Durante a Era de Degeneração o universo será frio e negro. As estrelas haverão de se separar de suas galáxias e através do acúmulo vagaroso dessa dispersão estelar, galáxias ou supergaláxias deverão gradualmente, modificar suas estruturas. O espaço intergalático será um lugar imenso, realmente. Uma minoria de estrelas de grande massa será engolida pelos buracos negros dos centros das galáxias. Esses buracos negros deverão continuar crescendo vagarosamente à medida que vão engolindo massa estelar, e a matéria escura, em alguma forma desconhecida, circundará as galáxias com um halo difuso (circunstância que, de alguma forma, já acontece hoje, nos primórdios da Era Estelífera).
Na Era do Buraco Negro, apenas os buracos negros sobreviverão inalterados após o final da Era da Degeneração. No entanto, até os buracos negros não durarão para sempre: a Era do Buraco Negro terminará dando início à Era do Vazio.
Na Era da Escuridão, restarão apenas alguns produtos esparsos e evanescentes, remanescentes das eras anteriores. Toda e qualquer atividade deixará de existir.
Entretanto, elétrons e positrons, navegando através do espaço podem encontrar uns com os outros e formarem um átomo de positron – que são um elétron e um positron orbitando um ao outro – ocupando um espaço maior ainda do que aquele que observarmos do universo inteiro hoje. Essa órbita eventualmente se espiralará e se aniquilará depois de um imenso tempo.
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BABA NAM KEVALAM
A Consciência suprema a tudo permeia
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Janine Milward de Azevedo