O texto abaixo é de autoria de Janine
Milward de Azevedo e extraído de seu livro A Luz e o Vazio – direitos
reservados 2004. Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na íntegra e
mencionando sua autoria e seus créditos
Mente e Luz
Janine Milward de Azevedo
Mente e Luz – O Caminho da Iluminação
- Ação e Reação em potencial, Conhecimento e Devoção - A Expansão da
Consciência e os Caminhos da Iluminação e da Liberação (ou Imortalidade) -
Mente e Meditação - A Luz e a Não-Luz: O Eterno Retorno
No entanto, essa energia mental formalizada através da Luz é tão somente uma manifestação mental. Toda a Criação é tão somente uma manifestação mental formalizada através da Luz.
Poderemos, então, dizer que a Criação, por ser uma manifestação mental formalizada através da Luz, é tão somente uma ilusão, Maya. Essa ilusão porém, dentro do Mundo da Manifestação, é realizada através de sua própria capacidade de expressão dentro da Criação através da Energia Cósmica, Prakrti. A natureza como um todo é uma formalização dessa ilusão expressada no Mundo da Manifestação.
A Luz portanto é como uma ferramenta usada por Prakrti (a ilusão com capacidade de expressão de criação através da Energia Cósmica). Não apenas a Luz é a ferramenta como também é a própria matéria prima da Criação, tanto em seu sentido de objetividade quanto em seu sentido de subjetividade.
Luz é matéria. Sendo a Criação uma realização da Mente Cósmica, essa manifestação de criação é realizada através da Luz.
Dessa forma, tudo aquilo que vemos na natureza, eu, você e o todo, são composições de Luz. Da mesma forma, tudo aquilo que não podemos ver na natureza também são composições de Luz. Apenas que, objetivamente, aquilo que podemos considerar como pertencente ao Mundo da Não-Manifestação e à Constância, é composto pela Luz manifestada, o Sublime Yang. Enquanto que, subjetivamente, aquilo que podemos considerar como pertencente ao Mundo da Manifestação e à Eterna Mutação, é composto pela Não-Luz manifestada, o Sublime Yin.
Sendo a Mente manifestada através da Luz e da Não-Luz, o tudo e o todo e o nada da natureza, eu e você e a Criação, somos uma coletividade de expressão de criação sim, tanto de maneira objetiva quanto subjetiva, mas somos uma unicidade com o Princípio Primordial, a Suprema Consciência, a Mente Cósmica, o Tao.
Dentro da ilusão e de sua realização objetiva e subjetiva para a manifestação da Criação através da Energia Cósmica, Maya e Prakrti atuam como canalizadores, digamos assim, da Mente Cósmica.
Nós somos a própria Mente Cósmica espelhada em natureza. Nós somos o Criador espelhado em Criação.
Sendo nós a própria Mente Cósmica espelhada em natureza, vivenciamos essa mesma natureza (manifestada em Criação através de Prakrti) de acordo com a forma e magnitude em que usamos nossa mente.
Portanto, podemos inferir que toda a Criação que conhecemos é apenas e tão somente a criação daquilo que nossa mente consegue formalizar e manifestar - através de nossa própria Prakrti individualizada, digamos assim – ao mesmo tempo que coletivizada (já que vivenciamos essa Criação de forma coletiva).
Trocando em miúdos, esse universo que conhecemos e vivemos é uma manifestação da Maya criativa e da Prakrti em sua energia cósmica e que pode ser mentalmente reconhecido e vivenciado por toda a natureza nesse mesmo nível de desenvolvimento e ação da mente...
Se pensarmos assim, podemos entender que possivelmente existirão outros universos e níveis de Criação paralelos a este que vivemos e reconhecemos e que poderão ser vivenciados e reconhecidos pela natureza e seres afeitos mentalmente de acordo com estes outros universos, ou mundos.
Obviamente, ao ampliarmos mais e mais nossa mente, teremos a possibilidade de alcançarmos e compreendermos alguns desses tantos outros níveis da Criação.
Avançando neste campo de compreensão, também podemos inferir que, se estamos mentalmente adequados a este universo que vivemos e conhecemos durante a nossa chamada "vida".... também certamente será através da nossa evolução mental – ou não – que estaremos vivenciando e conhecendo o universo ou mundo quando de nossa chamada "morte".
Ou seja, ao efetuarmos nossa passagem, ao deixarmos a vida, ao entrarmos na morte, estaremos nos colocando em alguma situação ou lugar aonde nossa circunstância mental adquirida em vida realizou, criou, manifestou. Possivelmente, não estaremos sozinhos não, estaremos, sim, juntos aos seres e à natureza adequada à manifestação daquele determinado estado mental.
E novamente, todas estas vivências e todos estes conhecimentos, seja dentro da Luz ou seja dentro da Não-Luz, seja dentro da chamada vida ou seja dentro da chamada morte, seja dentro do Sublime Yang ou seja dentro do Sublime Yin....., são criações realizadas pela energia cósmica de Prakrti, a ilusão (Maya) que manifesta a Criação dentro do Mundo da Manifestação.
O Caminho da Iluminação
Janine Milward de Azevedo
Assim fazendo, estaremos cada vez mais nos libertando das amarras da ignorância. Este é o significado primordial do Tantra.
A libertação das amarras da ignorância significa a amplitude da mente, a expansão da consciência, a compreensão do Mundo da Não-Manifestação e do Mundo da Manifestação, a compreensão do Tao e da Criação, a realização plenamente consciente da mente.
É a mente – por ser o Absoluto – a única questão que levamos de uma vida a uma morte e a uma outra vida, ao longo de nossa passagem e mutação dentro do Mundo da Manifestação. É a mente, dentro de sua capacidade de formalizar a Luz e a Não-Luz, a única questão que realmente nos une ao Tao – que é a Mente Cósmica, a Suprema Consciência.
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Certamente o conhecimento nos ajuda a nos libertar da escuridão da ignorância. Porém nem sempre encontramos esse conhecimento nos livros. Nem sempre esse conhecimento é voltado para as questões do Mundo da Não-Manifestação. Nem sempre esse conhecimento é aquele que passa a verdade sobre a Criação. Nem sempre esse conhecimento é despido de preconceitos ou pretensos conceitos consensuais entre os seres chamados pensantes dentro do Mundo da Manifestação. Nem sempre esse conhecimento nos amplia a mente, nos expande a consciência.
Certamente que todo o conhecimento existente dentro do Mundo da Manifestação é importante: vivemos esse mundo, em parte maior ou menor de nós mesmos, com intensidade maior ou menor de nossa mente.
No entanto, o verdadeiro conhecimento é aquele que advém do Mundo da Não-Manifestação e que pode ser alcançado através da plenitude e infinitude e iluminação da consciência, da mente.
O grande aprendizado, a grande realização de nossa mente, é saber diferenciar as questões que podem ser imajadas por estes dois mundos.... Vivenciar o Mundo da Manifestação em mesmo patamar de consciência que nos leva a vivenciar o Mundo da Não-Manifestação é a verdadeira Yoga, a verdadeira fusão entre a mente coletivizada adquirida através da realização objetivada da energia cósmica de Prakrti e a mente individualizada que consegue visualizar o mundo criado por Prakrti como uma ‘ilusão (Maya) necessária, porém não a verdadeira realidade’.
Ação e Reação em potencial,
Conhecimento e Devoção
(Karma, Jinana e Bhakti)
Janine Milward de Azevedo
A ação – Karma – sempre pressupõe uma reação em potencial – Samskara. No momento em que realmente estivermos em nosso Caminho da Iluminação, nos propomos viver e agir sempre de forma que nossa mente atue dentro do bom discernimento – Viveka -, deixando os julgamentos errôneos ou preconceituosos de lado. Dessa forma, não criaremos reações negativas em relação às nossas ações e nos tornaremos aquilo que poderemos chamar de Semente Queimada, Dagdhabiija, ou seja, a semente que não mais nasce dentro desse estágio de mundo mental em que nos encontramos agora e que nos leva a vida, morte, vida, morte, vida, morte, numa roda quase que infinita – a Samsara - e quase que sem sentido.....
O verdadeiro conhecimento advém do Mundo da Não-Manifestação e, mesmo que traduzindo a verdade da Mente Cósmica, essa tradução já é uma realização dentro do Mundo da Manifestação, ou seja, tornou-se uma manifestação de Prakrti, a ilusão criativa, objetiva ou subjetivamente.
Assim, existe também um momento em que até do conhecimento abrimos mão, nos desapegamos: é o desapego final... para o encontro com a Mente Pura e Cósmica.
A devoção atua como o combustível para o desenvolvimento dessas duas questões anteriores, ação e reação em potencial e conhecimento. A devoção é a pureza da mente que nos instiga a nos movermos em direção à Consciência Suprema, à Mente Cósmica, ao Tao. É o mapa do caminho de volta ao lar, por assim dizer. É a ferramenta mais precisa e certeira para que possamos transpor o portal entre o Mundo da Manifestação (deixando assim Maya e Prakrti para trás) e o Mundo da Não-Manifestação (nos fusionando com a Mente Suprema, o Tao).
A devoção é a mente em seu momento de maior refinamento dentro do Mundo da Manifestação.
Podemos realmente dizer o que é a devoção? Penso que não. Creio que a devoção é algo interiorizado, íntimo, pertencente a nosso coração e mente individualizados, não é mesmo?
E é por isso mesmo que a devoção tanto se assemelha ao Tao, a Deus, à Suprema Consciência: possui apenas interiorização.
Quando é necessário que a devoção demonstre ao exterior sua extrema interiorização, é preciso que a mente crie formas para expressar a devoção.... assim como Prakrti realiza a Criação dentro do Mundo da Manifestação, sendo inspirada sempre pelo Mundo da Não-Manifestação. Daí nasce a verdadeira religiosidade.
A Expansão da Consciência
e os Caminhos da Iluminação e da
Liberação (ou Imortalidade)
Janine Milward de Azevedo
É dentro, portanto, desta premissa que podemos tecer nossos Caminhos da Iluminação e da Liberação (ou Imortalidade).
A Iluminação pressupõe mente, consciência, infinita e iluminada. A Liberação ou Imortalidade, pressupõe vida infinita e iluminada. São um só Caminho, desmembrado em dois Caminhos, um anterior e outro posterior. E ambos os Caminhos somente podem ser realizados dentro da encarnação... e não fóra – não importando quantas vidas, quantas encarnações sejam necessárias para a realização do caminho espiritual em sua completude, em sua plenitude.... Não podemos nos esquecer de apenas levamos conosco, em nosso espírito, em nosso Trem da Vida, de uma vida para outra, aquilo que ficou marcado em nossa mente. Dessa forma, a expansão iluminada e infinita da mente – a Consciência – se faz absolutamente imprescindível na encarnação.
Srii Srii Anandamurti, o Mestre do Tantra, nos diz que a única meta do homem (aquele que possui mente expandida e iluminada – a consciência) é fusionar-se com Paramapurusa, com Deus, com o Tao da Criação, com a Consciência Suprema, é retornar à Fonte Primordial.
Mente e Meditação
Janine Milward de Azevedo
O que for a profundeza do teu SER, assim será teu DESEJO
O que for teu DESEJO, assim será a tua
VONTADE
O que for tua VONTADE assim serão teus
ATOS
O que forem teus ATOS, assim será teu
DESTINO.
(Upanishad IV ,V)
A meditação é um trabalho árduo – Sadhana - para que possamos comandar nossa mente, por um lado, e ser comandados por ela, por outro lado. Ao comandarmos nossa mente dentro do trabalho da meditação, estaremos esvaziando-a de forma a penetrarmos na plenitude do conhecimento que repousa dentro do Vazio após o encontro com a plenitude da Luz.
Ao sermos comandados por nossa mente dentro do trabalho da meditação, estaremos esvaziando-a de forma a penetrarmos na plenitude do conhecimento que repousa dentro do Vazio após o encontro com a plenitude da Luz.
Nosso comando em relação à mente durante o trabalho da meditação se traduz através da entoação interior e emudecida reguladora da inspiração e expiração pelo mantra pessoal ao mesmo tempo que procuramos manter nossa atenção plenamente fixada no Ajna Cakra, ou ponto do conhecimento, ou terceiro olho.
O comando da mente em relação a nós durante o trabalho da meditação se traduz através da plenitude de nossa devoção. A plenitude da devoção é o Vazio da mente.
Quando acontece o encontro entre esses dois comandos, surge a fusão entre o Espírito e a Alma, ou Fogo e Água, ou Mente Cósmica e mente manifestada, ou Espírito e Sopro Primordial. Somente a partir desse ponto é que a meditação verdadeiramente passa a acontecer.
O êxtase é o momento em que a Mente Cósmica em sua unicidade, Shiva, é fusionada com a mente cósmica coletiva, Jiva, que existe dentro de nós. É o Revirão, o ponto de retorno, aonde a Luz se funde com o Vazio, aonde a Criação se cria e se confunde com o Criador. É o Portal entre os Mundos da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação.
A Luz e a Não-Luz: O Eterno Retorno
Janine Milward de Azevedo
O Mundo da Não-Manifestação – Wu Chi -, no entanto, não possui qualquer dualidade, apenas a unidade, o Absoluto, Paramapurusa, Tao, Deus – o Tao da Criação.
O Mundo da Manifestação existe a partir da mutação. O Mundo da Não-Manifestação é a própria não-mutação, ou seja, a única coisa que nunca entra em mutação é a própria não-mutação que somente existe no Mundo da Não-Manifestação e é exatamente aquilo que Lao Tsé nos diz que não se tem palavras para falar sobre, ou para se definir... É o Tao.
Quando existe a interação entre a Luz e a Não-Luz, estaremos falando, então, da Criação e da mutação constante existente dentro dessa Criação, em ciclos de nascimento, vida e morte.
Dentro de um ponto de vista do Mundo da Manifestação - aonde vivemos e nos manifestamos em nossa consciência -, poderíamos entender que a Luz nos traz o nascimento, a vida... e a Não-Luz nos traz a morte, a não-vida. Porém, sabemos que tudo isto apenas é representativo de um ciclo, ou seja, não existem, na verdade, nascimento, vida e morte, nascimento, vida e morte... como palavras terminais – não.
O fio da existência é advindo do Mundo da Manifestação através da Luz e da Não-Luz, certamente. Porém, a existência é advinda da não-existência - o Mundo da Manifestação é o espelho do Mundo da Não-Manifestação.
Lao Tsé nos diz em seu Capítulo 40:
O retorno é o movimento do Caminho
A suavidade é a atuação do Caminho
Os seres sob o céu nascem da existência
E a existência nasce da não-existência
Apenas não podemos nos esquecer que o Tao está ainda além do Tudo, do Todo e do Nada....
É por isso que, durante o processo da prática da meditação, vamos alcançando níveis mais e mais profundos, que nos levam ao encontro da Luz, que nos levam ao encontro do Vazio, que nos levam ao encontro da Imortalidade... E, certamente, estaremos indo ao encontro da Plenitude do Mundo da Manifestação que, num revirão de seu espelho, nos leva ao encontro do Mundo da Não-Manifestação...
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O texto acima é de autoria de Janine
Milward de Azevedo e extraído de seu livro A Luz e o Vazio – direitos
reservados 2004. Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na íntegra e
mencionando sua autoria e seus créditos
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BABA NAM KEVALAM
A Consciência suprema a tudo permeia
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Janine Milward de Azevedo