A Luz e o Vazio


Os textos abaixo são de autoria de Janine Milward de Azevedo e extraído de seu livro A Luz e o Vazio – direitos reservados 2004. A tradução dos Capítulos do Tao Te Ching são de autoria de Wu Jyh Cherng (extraídos do Livro do Caminho e da Virtude, Editora Ursa Maior, SP, Brasil). Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na íntegra e mencionando sua autoria e créditos.

A Luz e o Vazio

Janine Milward de Azevedo

O Mundo da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação – Constância e Eterna Mutação – Interioridade e Exterioridade - O Sublime Yang e o Sublime Yin, A Luz e a Não-Luz (O Vazio) - Brahmacakra: o Ciclo de Brahma, o Movimento da Criação – Eu Sou: Eu Farei, Eu Faço, Eu Fiz - O Tao, em suas várias designações - Mente e Luz – O Caminho da Iluminação - Ação e Reação em potencial, Conhecimento e Devoção (Karma, Jinana e Bhakti) - A Expansão da Consciência e os Caminhos da Iluminação e da Liberação (ou Imortalidade) – Mente e Meditação - A Luz e o Vazio: O Eterno Retorno - Mortalidade e Imortalidade / Iluminação e Liberação - Reencarnação de Universos – Somos Poeira de Estrelas - Sendo Poeira de Estrelas, podemos voltar a ser uma Estrela?


O Mundo da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação

Janine Milward de Azevedo

Penso que Lao Tsé, o Mestre do Tao, é quem melhor consegue nos elucidar sobre o Mundo da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação em vários dos 81 Capítulos do Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude. Transcrevo abaixo, então, a primeira estrofe do chamado Capítulo 1 desta obra:

O Caminho que pode ser expresso não é o Caminho constante
O nome que pode ser enunciado não é o Nome constante
Sem-Nome é o princípio do céu e da terra
Com-Nome é a mãe das dez mil coisas

Primeiramente, Lao Tsé nos diz que não existe linguagem possível que possa alcançar a verdadeira essência do Tao, ou seja, o verdadeiro Tao está além de qualquer linguagem, bem como além de qualquer possibilidade de manifestação tanto do consciente quanto do inconsciente. Nada pode denominar correta e certeiramente o que é o Tao.

Sendo o Tao a única possível constância do Todo e do Tudo, a única possível realidade que é imutável, Lao Tsé a Ele se refere como impossível de se referenciar. Quando algo semelhante ao Tao é referenciado, já não é o Tao verdadeiro, é apenas algo que se pode referenciar como Tao, como O Caminho.

O Caminho que pode ser expresso não é o Caminho constante
O nome que pode ser enunciado não é o Nome constante

Não podendo ser referenciado de nenhuma forma, do Tao parte o princípio criador e formador de todas as coisas. Esse princípio, primordialmente, ainda é a não-vida, a não-existência, a não-forma, a não-realidade - que dá berço à vida, à existência, à forma, à realidade. Esse é o Wu Chi, o Mundo da Não-Manifestação, Nirguna Brahma, onde o Tudo e o Todo - o céu e a terra - são gestados ainda dentro do Ventre do Tao.
Sem-Nome é o princípio do céu e da terra

Sem-Nome, então, é o Wu Chi, O Mundo da Não-Manifestação, Nirguna Brahma, que dá criação ao Tudo e ao Todo, o Mundo da Manifestação, Tai Chi, Saguna Brahma.

O Mundo da Manifestação, Tai Chi, Saguna Brahma, inclui o Tudo e o Todo advindos do Mundo da Não-Manifestação..
No entanto, o Tudo faz ainda parte da idéia de totalidade advinda do Tao do Mundo da Não-Manifestação. O Todo faz parte da idéia da totalidade advinda do Tao do Mundo da Manifestação. O Tudo ainda é indefinível enquanto o Todo já pode ser definido e identificado. Assim, O Todo adquire um nome.


Com-Nome é a mãe das dez mil coisas

Dessa maneira, na primeira estrofe do Capítulo 1 Lao Tsé nos apresenta o Tao e a total impossibilidade de se falar sobre Ele em sua essência. Quando alguma linguagem passa a se referir sobre o Tao, então, já não é mais o Tao essencial e sim, o Tao através de alguma forma ou linguagem. Também nessa primeira estrofe, Lao Tsé nos introduz á estrutura da formação do Tudo e do Todo do qual somos parte: o Wu Chi, O Mundo da Não-Manifestação, Nirguna Brahma, e o Tai Chi, O Mundo da Manifestação, Saguna Brahma - conceitos fundamentais e estruturais de compreensão da verdadeira natureza do céu e da terra.




Constância, Duração e Eterna Mutação

Janine Milward de Azevedo

Certamente Lao Tsé já nos aponta a lei única de interação entre os dois mundos: a eterna mutação e a constância.

Dentro do Mundo da Não-Manifestação existe apenas Constância, ou seja, apenas o Tao é verdadeiramente constante, imutável. A única não mutabilidade é o próprio Tao em sua constância.

Dentro do Mundo da Manifestação existe constante mutação. a única não mutabilidade é a própria eterna mutação. E a mutação pressupõe a duração, não a constância.

No Capítulo 7 do Tao Te Ching, Lao Tsé nos fala mais claramente ainda sobre a constância e a duração:
O céu é constante, a terra é duradoura
O que permite a constância e a duração do céu e da terra
É o não criar para si
Por isso são constantes e duradouros

Dentro do ato da Eterna Mutação do Mundo da Manifestação, existe a constância do céu e existe a duração da terra. E ambos fazem a eterna mutação acontecer através do fato de que ‘não criam para si’. Sendo assim, o Mundo da Não-Manifestação pode ser espelhado pelo Mundo da Manifestação – sendo apenas espelhado, surgem Maya e Prakrti, o princípio criativo e a energia cósmica que realiza esta Criação.



Interioridade e Exterioridade

Janine Milward de Azevedo

A grande entre os dois mundos, entre a Constância e a constante mutação, é que, dentro do Mundo da Não-Manifestação existe apenas interioridade. O Tudo e o Todo e o Nada estão contidos dentro do Mundo da Não-Manifestação.

A Criação do Mundo da Manifestação advém da plenitude da interioridade do Mundo da Não-Manifestação. No entanto, sempre o Mundo da Não-Manifestação permanece absolutamente interiorizado.... porque toda a Criação está contida dentro dele, bem como o próprio Mundo da Manifestação.

Assim, o Mundo da Não-Manifestação possui apenas plena interiorização e constância. Enquanto o Mundo da Manifestação, por estar contido dentro do Mundo da Não-Manifestação, possui exterioridade ao mesmo tempo que interioridade, certamente. E por possuir este duplo aspecto, está em constante estado de mutação: ora a Criação faz face à sua exteriorização, ora à sua interiorização.

Somente o Tao é plenamente interiorizado.



O Sublime Yang e o Sublime Yin, A Luz e a Não-Luz (O Vazio)

Janine Milward de Azevedo

A interação entre o Mundo da Não-Manifestação e sua constância e interioridade e o Mundo da Manifestação e sua eterna mutação e exterioridade e interioridade dá berço aos conceitos do Sublime Yang e do Sublime Yin (O Vazio).

Sabemos que a imagem do Sublime Yang é uma linha reta querendo significar sua constância.
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A imagem do Sublime Yin é uma linha vazada querendo significar sua multiplicidade e interação e mutação eternas – a duração.
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Também sabemos que o Sublime Yang representa a Luz que emana do Mundo da Não-Manifestação, o verdadeiro Criativo... Não é o Mundo da Não-Manifestação aquele dá berço ao Mundo da Manifestação?. Enquanto o Sublime Yin representa a Não-Luz que emana do Mundo da Manifestação, o Receptivo... Não é o Mundo da Manifestação o espelho que advém do Mundo da Não-Manifestação?

Dentro do Mundo da Manifestação, o Tao da Criação é pura Luz. Tudo é Luz. Tudo está contido dentro do Tao da Criação, que possui apenas interioridade e nenhuma exterioridade. Sendo assim, estamos falando do Sublime Yang.

Dentro do Mundo da Manifestação, a Criação, no entanto, possui tanto a interioridade quanto, e principalmente, a exterioridade (por estar totalmente contida dentro do Tao da Criação). Para a Criação, portanto, existe a duplicidade da existência estruturada sobre o Sublime Yang e sobre o Sublime Yin, a Luz e a Não-Luz.

Dessa forma, podemos compreender que o Mundo da Manifestação não apenas é totalmente estruturado pelo Mundo da Não-Manifestação como também apresenta a Luz e a Não-Luz, o Sublime Yang e o Sublime Yin como sua possibilidade mínima de representação.

A partir da mesclagem entre a Luz e a Não-Luz (O Vazio), surge a Criação.



Brahmacakra: O Ciclo de Brahma, o Movimento da Criação

Janine Milward de Azevedo

Sabemos que o Mundo da Não-Manifestação é um estado puro de onde se origina a Criação advinda do Mundo da Manifestação. Ao surgir a manifestação dos primórdios da Criação, com ela se objetiva a Mente Cósmica. Assim, a Mente Cósmica é uma objetivação para agir e nomear s Suprema Consciência dentro do Mundo da Manifestação... surge Brahma, a Consciência Cósmica, literalmente "O Grande".

Existe, então, o Mundo da Não-Manifestação, Nirguna Brahma – a Consciência Cósmica não-manifesta – que faz nascer o Mundo da Manifestação, Saguna Brahma – a Consciência Cósmica manifesta.

Brahma desmembra-se em dupla qualidade manifestada através de sua própria consciência objetivada em Eu Sou: Purusa. E através de sua capacidade, potencial ou objetiva, de manifestar sua capacidade de expressão: Prakrti, a energia cósmica.

Penso que podemos denominar Purusa, Eu Sou, como o Sublime Yang, o Criativo, a Luz, a Unicidade, o Absoluto. E Prakrti, a energia cósmica, como o Sublime Yin, O Vazio, a multiplicidade dentro da Criação, o Receptivo, a Não-Luz.

Purusa e Prakrti interagem entre si tanto dentro do Mundo da Não-Manifestação – Nirguna Brahma – quando dentro do Mundo da Manifestação – Saguna Brahma.

Dessa forma, a partir de Brahma, surgem a Consciência Cósmica, Purusa, e sua expressão de manifestação através da energia cósmica – Prakrti – interagem, fusionam-se e separam-se, fusionam-se e separam-se, criando o princípio do movimento.

Essa movimentação acontece dentro dos dois mundos – da Não-Manifestação e da Manifestação – formando, então, um tríplice qualidade de forças que competem entre si, infinitamente dando início, vivenciando e trazendo a finalização para dar começo a uma nova jornada: é a Criação.

Assim, tem início o Brahmacakra – o Ciclo de Brahma, - o movimento da Criação, do sutil ao denso, da Consciência à matéria, e o retorno do denso para o sutil, da matéria à Consciência.



Eu Sou: Eu Farei, Eu Faço, Eu Fiz

Janine Milward de Azevedo


 O que for a profundeza do teu SER, assim será teu DESEJO
O que for teu DESEJO, assim será a tua VONTADE
O que for tua VONTADE assim serão teus ATOS
O que forem teus ATOS, assim será teu DESTINO.
(Upanishad IV ,V)

O SER é a Consciência Cósmica, o Tao, Paramapurusa, a Suprema Mente: Eu Sou não-manifestado
O DESEJO é aquele que manifesta o Ser Primordial: Eu Sou manifestado
A VONTADE é aquela que idealiza a realização do movimento da Criação: Eu Farei
Os ATOS são aqueles que realizam o movimento da Criação: Eu Faço
O DESTINO é aquele que manifesta o movimento da Criação: Eu Fiz


O Ser é a mente: Mente Cósmica em sua Unicidade, Shiva, e mente cósmica em sua coletividade, Jiva.
O Desejo é manifestado através de Prakrti – o Princípio Operativo, a Energia Cósmica formada através do Mundo da Não-Manifestação e concretizada através do Mundo da Manifestação.

Prakrti, a energia cósmica, é concretizada, então, através de uma triangulação de forças que manifestam o ciclo de Brahma - Brahmacakra:

Força Sutil – Sattvaguna –: Eu Farei; a realização voltada para o futuro - A VONTADE
Força Mutativa Rajoguna; força que causa movimento, atividade, agitação – Eu Faço; a realização voltada para o presente - Os ATOS
Força Estática – Tamoguna – Eu Fiz; a realização voltada para o passado - O DESTINO

Podemos ver, dessa maneira, a mente manifestada através da Criação advinda do Mundo da Manifestação como espelhamento do Tao do Mundo da Não-Manifestação.

A mente em sua qualidade de unicidade, Shiva, é a Mente Cósmica. A mente em sua qualidade de coletividade, Jiva, é a mente da Criação que vai deslizando e condensando dentro do Mundo da Manifestação até expandir-se em sua plenitude de infinitude e de iluminação, através da eterna mutação da Criação até retornar à sua sutileza essencial dentro do Mundo da Não-Manifestação, quando volta a ser Shiva, a Mente Cósmica.



O Tao, em suas várias designações

Janine Milward de Azevedo

A Suprema Consciência, o Tao, o Princípio Primordial, o Absoluto, Paramapurusa, a Mente Cósmica, a Mente Suprema, Deus, Alah, e tantas outras designações manifestadas ou não-manifestadas (apenas pressentidas) falam da energia absolutamente pura e primordial da natureza: a mente.

Assim, as palavras ou designações acima podem significar algo plenamente impessoal para ocupar o status de Criador bem como algo plenamente pessoal – porém divino. Penso que a designação Tao bem preenche este sentimento de impessoalidade enquanto Deus, por outro lado, a mim me parece a designação do Homem Divino, a perfeição da pessoalidade do Criador. Assim como Brahma ou Alah. A meu ver, Tao – O Caminho - bem preenche a qualidade de impessoalidade advinda do Mundo da Não-Manifestação, bem como Princípio Primordial, Paramapurusa, a Suprema Consciência, a Suprema Mente, a Consciência Cósmica, a Mente Cósmica.

Acredito também que algumas designações, principalmente aquelas mais impessoais, estejam contidas dentro do Mundo da Não-Manifestação enquanto outras designações, principalmente aquelas mais pessoais, estejam contidas dentro do Mundo da Manifestação.

Existem circunstâncias que expressam o Tao como absolutamente indefinível ou nomeável e outras aonde o Tao seja expresso de maneira mais objetivada – dentro da interação constante entre os Mundos da Não-Manifestação e da Manifestação.

A questão que permanece, seja dentro da impessoalidade absoluta ou seja dentro da pessoalidade do ser divino, é que tudo é apenas mente.

Dessa forma, podemos inferir a mente que cabe no Mundo da Não-Manifestação e a mente que é espelhada para ser realizada dentro do Mundo da Manifestação.

Neste aspecto, estarei usando quase todas as designações acima, sendo que algumas estarão mais bem colocadas dentro do Céu Anterior, ou Mundo da Não-Manifestação, e outras dentro do Céu Posterior, ou Mundo da Manifestação. (Possivelmente também o caro leitor poderá contribuir com suas próprias designações).



Mente e Luz

Janine Milward de Azevedo

A mente é manifestada através da Luz. Tudo é Luz. Toda a Criação advinda do Mundo da Manifestação (que é oriundo do Mundo da Não-Manifestação) é o exercício da mente através da formalização da Luz.

No entanto, essa energia mental formalizada através da Luz é tão somente uma manifestação mental. Toda a Criação é tão somente uma manifestação mental formalizada através da Luz.

Poderemos, então, dizer que a Criação, por ser uma manifestação mental formalizada através da Luz, é tão somente uma ilusão, Maya. Essa ilusão porém, dentro do Mundo da Manifestação, é realizada através de sua própria capacidade de expressão dentro da Criação através da Energia Cósmica, Prakrti. A natureza como um todo é uma formalização dessa ilusão expressada no Mundo da Manifestação.

A Luz portanto é como uma ferramenta usada por Prakrti (a ilusão com capacidade de expressão de criação através da Energia Cósmica). Não apenas a Luz é a ferramenta como também é a própria matéria prima da Criação, tanto em seu sentido de objetividade quanto em seu sentido de subjetividade.

Luz é matéria. Sendo a Criação uma realização da Mente Cósmica, essa manifestação de criação é realizada através da Luz.

Dessa forma, tudo aquilo que vemos na natureza, eu, você e o todo, são composições de Luz. Da mesma forma, tudo aquilo que não podemos ver na natureza também são composições de Luz. Apenas que, objetivamente, aquilo que podemos considerar como pertencente ao Mundo da Não-Manifestação e à Constância, é composto pela Luz manifestada, o Sublime Yang. Enquanto que, subjetivamente, aquilo que podemos considerar como pertencente ao Mundo da Manifestação e à Eterna Mutação, é composto pela Não-Luz manifestada, o Sublime Yin.

Sendo a Mente manifestada através da Luz e da Não-Luz, o tudo e o todo e o nada da natureza, eu e você e a Criação, somos uma coletividade de expressão de criação sim, tanto de maneira objetiva quanto subjetiva, mas somos uma unicidade com o Princípio Primordial, a Suprema Consciência, a Mente Cósmica, o Tao.

Dentro da ilusão e de sua realização objetiva e subjetiva para a manifestação da Criação através da Energia Cósmica, Maya e Prakrti atuam como canalizadores, digamos assim, da Mente Cósmica.

Nós somos a própria Mente Cósmica espelhada em natureza. Nós somos o Criador espelhado em Criação.
Sendo nós a própria Mente Cósmica espelhada em natureza, vivenciamos essa mesma natureza (manifestada em Criação através de Prakrti) de acordo com a forma e magnitude em que usamos nossa mente.

Portanto, podemos inferir que toda a Criação que conhecemos é apenas e tão somente a criação daquilo que nossa mente consegue formalizar e manifestar - através de nossa própria Prakrti individualizada, digamos assim – ao mesmo tempo que coletivizada (já que vivenciamos essa Criação de forma coletiva).

Trocando em miúdos, esse universo que conhecemos e vivemos é uma manifestação da Maya criativa e da Prakrti em sua energia cósmica e que pode ser mentalmente reconhecido e vivenciado por toda a natureza nesse mesmo nível de desenvolvimento e ação da mente...

Se pensarmos assim, podemos entender que possivelmente existirão outros universos e níveis de Criação paralelos a este que vivemos e reconhecemos e que poderão ser vivenciados e reconhecidos pela natureza e seres afeitos mentalmente de acordo com estes outros universos, ou mundos.

Obviamente, ao ampliarmos mais e mais nossa mente, teremos a possibilidade de alcançarmos e compreendermos alguns desses tantos outros níveis da Criação.

Avançando neste campo de compreensão, também podemos inferir que, se estamos mentalmente adequados a este universo que vivemos e conhecemos durante a nossa chamada "vida".... também certamente será através da nossa evolução mental – ou não – que estaremos vivenciando e conhecendo o universo ou mundo quando de nossa chamada "morte".

Ou seja, ao efetuarmos nossa passagem, ao deixarmos a vida, ao entrarmos na morte, estaremos nos colocando em alguma situação ou lugar aonde nossa circunstância mental adquirida em vida realizou, criou, manifestou. Possivelmente, não estaremos sozinhos não, estaremos, sim, juntos aos seres e à natureza adequada à manifestação daquele determinado estado mental.

E novamente, todas estas vivências e todos estes conhecimentos, seja dentro da Luz ou seja dentro da Não-Luz, seja dentro da chamada vida ou seja dentro da chamada morte, seja dentro do Sublime Yang ou seja dentro do Sublime Yin ou Vazio....., são criações realizadas pela energia cósmica de Prakrti, a ilusão (Maya) que manifesta a Criação dentro do Mundo da Manifestação.



O Caminho da Iluminação

Janine Milward de Azevedo

É, portanto, absolutamente imperativo que tomemos cada vez mais o total controle de nossa mente individual no sentido de canalizá-la em seu caminho de expansão da consciência a níveis infinitos e ilimitados. Este é o Caminho da Iluminação.

Assim fazendo, estaremos cada vez mais nos libertando das amarras da ignorância. Este é o significado primordial do Tantra.

A libertação das amarras da ignorância significa a amplitude da mente, a expansão da consciência, a compreensão do Mundo da Não-Manifestação e do Mundo da Manifestação, a compreensão do Tao e da Criação, a realização plenamente consciente da mente.

É a mente – por ser o Absoluto – a única questão que levamos de uma vida a uma morte e a uma outra vida, ao longo de nossa passagem e mutação dentro do Mundo da Manifestação. É a mente, dentro de sua capacidade de formalizar a Luz e a Não-Luz, a única questão que realmente nos une ao Tao – que é a Mente Cósmica, a Suprema Consciência.


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Ampliar a mente, realizar a expansão infinita e iluminada de nossa consciência, não significa necessariamente nos atermos ao conhecimento, ao intelecto, a isso, a aquilo outro.... não. Todo o conhecimento do universo pode abarcar apenas aquilo que é manifestação da Prakrti chamada de ‘universo’... Pensando assim, o intelecto é apenas uma ferramenta a mais criada por Prakrti. O intelecto é apenas um aspecto do prisma do espelho da mente, assim como a totalidade do conhecimento.


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Importante é sermos retos e transparentes em nossas ações e em nossos pensamentos. Podemos fazer isso exercendo tarefas complicadíssimas que exijam muitíssimo de nosso intelecto ou podemos fazer isso exercendo tarefas simples, apenas sentindo e vivenciando a natureza em seu todo, sem qualquer ajuda do intelecto.
Certamente o conhecimento nos ajuda a nos libertar da escuridão da ignorância. Porém nem sempre encontramos esse conhecimento nos livros. Nem sempre esse conhecimento é voltado para as questões do Mundo da Não-Manifestação. Nem sempre esse conhecimento é aquele que passa a verdade sobre a Criação.

 Nem sempre esse conhecimento é despido de preconceitos ou pretensos conceitos consensuais entre os seres chamados pensantes dentro do Mundo da Manifestação. Nem sempre esse conhecimento nos amplia a mente, nos expande a consciência.

Certamente que todo o conhecimento existente dentro do Mundo da Manifestação é importante: vivemos esse mundo, em parte maior ou menor de nós mesmos, com intensidade maior ou menor de nossa mente.
No entanto, o verdadeiro conhecimento é aquele que advém do Mundo da Não-Manifestação e que pode ser alcançado através da plenitude e infinitude e iluminação da consciência, da mente.

O grande aprendizado, a grande realização de nossa mente, é saber diferenciar as questões que podem ser imajadas por estes dois mundos.... Vivenciar o Mundo da Manifestação em mesmo patamar de consciência que nos leva a vivenciar o Mundo da Não-Manifestação é a verdadeira Yoga, a verdadeira fusão entre a mente coletivizada adquirida através da realização objetivada da energia cósmica de Prakrti e a mente individualizada que consegue visualizar o mundo criado por Prakrti como uma ‘ilusão (Maya) necessária, porém não a verdadeira realidade’.



Ação e Reação em potencial, Conhecimento e Devoção
(Karma, Jinana e Bhakti)

Janine Milward de Azevedo

Nos é dito pelos Mestres que alcançaram o Portal entre o Mundo da Manifestação e o Mundo da Não-Manifestação, que existem três etapas para que nos seja possível nos colocarmos em nosso Caminho da Iluminação, ou seja, a infinitude e iluminação eterna de nossa consciente, de nossa mente: nossa ação totalmente despida de reações em potencial negativas; o conhecimento verdadeiro; e finalmente, nossa devoção.

A ação – Karma – sempre pressupõe uma reação em potencial – Samskara. No momento em que realmente estivermos em nosso Caminho da Iluminação, nos propomos viver e agir sempre de forma que nossa mente atue dentro do bom discernimento, deixando os julgamentos errôneos ou preconceituosos de lado. Dessa forma, não criaremos reações negativas em relação às nossas ações e nos tornaremos aquilo que poderemos chamar de Semente Queimada, ou seja, a semente que não mais nasce dentro desse estágio de mundo mental em que nos encontramos agora e que nos leva a vida, morte, vida, morte, vida, morte, numa roda quase que infinita e quase que sem sentido.....

O verdadeiro conhecimento (aquele que advém do Mundo da Não-Manifestação), mesmo que traduzindo a verdade da Mente Cósmica, essa tradução já é uma realização dentro do Mundo da Manifestação, ou seja, tornou-se uma manifestação de Prakrti, a ilusão criativa, objetiva ou subjetivamente.

Assim, existe também um momento em que até do conhecimento abrimos mão, nos desapegamos: é o desapego final... para o encontro com a Mente Pura e Cósmica.

A devoção atua como o combustível para o desenvolvimento dessas duas questões anteriores, ação e reação em potencial e conhecimento. A devoção é a pureza da mente que nos instiga a nos movermos em direção à Consciência Suprema, à Mente Cósmica, ao Tao. É o mapa do caminho de volta ao lar, por assim dizer. É a ferramenta mais precisa e certeira para que possamos transpor o portal entre o Mundo da Manifestação (deixando assim Maya e Prakrti para trás) e o Mundo da Não-Manifestação (nos fusionando com a Mente Suprema, o Tao).

A devoção é a mente em seu momento de maior refinamento dentro do Mundo da Manifestação.
Podemos realmente dizer o que é a devoção? Penso que não. Creio que a devoção é algo interiorizado, íntimo, pertencente a nosso coração e mente individualizados, não é mesmo?

E é por isso mesmo que a devoção tanto se assemelha ao Tao, a Deus, à Suprema Consciência: possui apenas interiorização.

Quando é necessário que a devoção demonstre ao exterior sua extrema interiorização, é preciso que a mente crie formas para expressar a devoção.... assim como Prakrti realiza a Criação dentro do Mundo da Manifestação, sendo inspirada sempre pelo Mundo da Não-Manifestação.



A Expansão da Consciência
e os Caminhos da Iluminação e da Liberação (ou Imortalidade)

Janine Milward de Azevedo

Podemos compreender que tanto a nível do Mundo da Não-Manifestação quanto a nível do Mundo da Manifestação, tudo é mente. Mente imajada em Luz subjetiva e mente imajada em Luz objetiva.

É dentro, portanto, desta premissa que podemos tecer nossos Caminhos da Iluminação e da Liberação (ou Imortalidade).

A Iluminação pressupõe mente, consciência, infinita e iluminada. A Liberação ou Imortalidade, pressupõe vida infinita e iluminada. São um só Caminho, desmembrado em dois Caminhos, um anterior e outro posterior. E ambos os Caminhos somente podem ser realizados dentro da encarnação... e não fóra – não importando quantas vidas, quantas encarnações sejam necessárias para a realização do caminho espiritual em sua completude, em sua plenitude.... Não podemos nos esquecer de apenas levamos conosco, em nosso espírito, em nosso Trem da Vida, de uma vida para outra, aquilo que ficou marcado em nossa mente. Dessa forma, a expansão iluminada e infinita da mente – a Consciência – se faz absolutamente imprescindível na encarnação.

Srii Srii Anandamurti, o Mestre do Tantra, nos diz que a única meta do homem (aquele que possui mente expandida e iluminada – a consciência) é fusionar-se com Paramapurusa, com Deus, com o Tao da Criação, com a Consciência Suprema, é retornar à Fonte Primordial.



Mente e Meditação

Janine Milward de Azevedo

 O que for a profundeza do teu SER, assim será teu DESEJO
O que for teu DESEJO, assim será a tua VONTADE
O que for tua VONTADE assim serão teus ATOS
O que forem teus ATOS, assim será teu DESTINO.
(Upanishad IV ,V)

A Mente pode nos levar à nossa máxima exteriorização e à nossa máxima interiorização. É a mente que nos leva à profundeza de nosso ser, comandada e comandando o desejo. A vontade comanda e é comandada pela mente para exercer seus atos. Portanto, é a mente que tece e é tecida pelo destino.

A meditação é um trabalho árduo para que possamos comandar nossa mente, por um lado, e ser comandados por ela, por outro lado. Ao comandarmos nossa mente dentro do trabalho da meditação, estaremos esvaziando-a de forma a penetrarmos na plenitude do conhecimento que repousa dentro do Vazio após o encontro com a plenitude da Luz.

Ao sermos comandados por nossa mente dentro do trabalho da meditação, estaremos esvaziando-a de forma a penetrarmos na plenitude do conhecimento que repousa dentro do Vazio após o encontro com a plenitude da Luz.

Nosso comando em relação à mente durante o trabalho da meditação se traduz através da entoação interior e emudecida reguladora da inspiração e expiração pelo mantra pessoal ao mesmo tempo que procuramos manter nossa atenção plenamente fixada no Ajna Cakra, ou ponto do conhecimento, ou terceiro olho.
O comando da mente em relação a nós durante o trabalho da meditação se traduz através da plenitude de nossa devoção.

O êxtase é o momento em que a Mente Cósmica em sua unicidade, Shiva, é fusionada com a mente cósmica coletiva, Jiva, que existe dentro de nós. É o Revirão, o ponto de retorno, aonde a Luz se funde com o Vazio, aonde a Criação se cria e se confunde com o Criador. É o Portal entre os Mundos da Não-Manifestação e o Mundo da Manifestação.



A Luz e o Vazio: O Eterno Retorno

Janine Milward de Azevedo

A Luz e o Vazio seriam as definições mínimas da dualidade cabível na primordialidade da Criação, ou Mundo da Manifestação, ou Céu Posterior, ou Tai Chi (que nos revela o Sublime Yang e o Sublime Yin – a Luz e a Não-Luz).

O Mundo da Não-Manifestação – Wu Chi -, no entanto, não possui qualquer dualidade, apenas a unidade, o Absoluto, Paramapurusa, Tao, Deus – o Tao da Criação.

O Mundo da Manifestação existe a partir da mutação. O Mundo da Não-Manifestação é a própria não-mutação, ou seja, a única coisa que nunca entra em mutação é a própria não-mutação que somente existe no Mundo da Não-Manifestação e é exatamente aquilo que Lao Tsé nos diz que não se tem palavras para falar sobre, ou para se definir... É o Tao.

Quando existe a interação entre a Luz e o Vazio, estaremos falando, então, da Criação e da mutação constante existente dentro dessa Criação, em ciclos de nascimento, vida e morte.

Dentro de um ponto de vista do Mundo da Manifestação - aonde vivemos e nos manifestamos em nossa consciência -, poderíamos entender que a Luz nos traz o nascimento, a vida... e o Vazio nos traz a morte, a não-vida. Porém, sabemos que tudo isto apenas é representativo de um ciclo, ou seja, não existem, na verdade, nascimento, vida e morte, nascimento, vida e morte... como palavras terminais – não.

O fio da existência é advindo do Mundo da Manifestação através da Luz e do Vazio, certamente. Porém, a existência é advinda da não-existência - o Mundo da Manifestação é o espelho do Mundo da Não-Manifestação.

Lao Tsé nos diz em seu Capítulo 40:
O retorno é o movimento do Caminho
A suavidade é a atuação do Caminho
Os seres sob o céu nascem da existência
E a existência nasce da não-existência

E no Mundo da Não-Manifestação, em não havendo lugar para a dualidade – apenas para a Unidade absoluta – então, poderia nos trazer a idéia da Imortalidade, certamente. Dessa maneira, a palavra Imortalidade poderia ser sinônima de Unidade absoluta.

Apenas não podemos nos esquecer que o Tao está ainda além do Tudo, do Todo e do Nada....

É por isso que, durante o processo da prática da meditação, vamos alcançando níveis mais e mais profundos, que nos levam ao encontro da Luz, que nos levam ao encontro do Vazio, que nos levam ao encontro da Imortalidade... E, certamente, estaremos indo ao encontro da Plenitude do Mundo da Manifestação que, num revirão de seu espelho, nos leva ao encontro do Mundo da Não-Manifestação...



Mortalidade e Imortalidade – Iluminação e Liberação

Janine Milward de Azevedo

No Capítulo 7 do Tao Te Ching, Lao Tsé nos diz:


O céu é constante, a terra é duradoura
O que permite a constância e a duração do céu e da terra
É o não criar para si
Por isso são constantes e duradouros

Dentro do ato da Eterna Mutação do Mundo da Manifestação, existe a constância do céu e existe a duração da terra. E ambos fazem a eterna mutação acontecer através do fato de que ‘não criam para si’. Sendo assim, o Mundo da Não-Manifestação pode ser espelhado pelo Mundo da Manifestação – sendo apenas espelhado, surgem Maya e Prakrti, o princípio criativo e a energia cósmica que realiza esta Criação..

A questão é: enquanto formos apenas pertencentes a este Mundo da Manifestação, na qualidade de Criação do céu e da terra em suas constância e duração e que não reclamam esta Criação para si mesmos -, tudo aquilo que ‘criarmos ou re-criarmos’ estará contido dentro do eterno retorno, dentro do ciclo de nascimento, vida e morte, dentro do Mundo da Manifestação. E mais, enquanto homens e mentes pensantes e até mesmos infinitamente conscientizadas e iluminadas, nossa criação também fará parte do ter e do não-ter.

Não nos esqueçamos que Lao Tsé nos diz que céu e terra criam, sim, mas não querem esta Criação para si, apenas criam, porque essa é a naturalidade do Tao, apenas ser.

Quando o homem cria e re-cria, essa ‘Criação" lhe pertence, ou seja, pertence ao Mundo da Manifestação – que já é por si mesmo, uma criação, já é criado... Dessa forma, não apenas o homem imita a Criação como também se apega a ela na medida que são todos parte de uma mesma e original Criação... Dessa forma, o homem cria para si – por isso apenas possui a duração – a mortalidade. Diferente do céu e da terra que não criam para si – por isso possuem constância e duração - Imortalidade.

Assim, a verdadeira Imortalidade – a constância do céu – pode ser alcançada, sim, certamente. No entanto, para tanto, é preciso haver o desapego. Que desapego é esse? O desapego da própria Criação em sua duração.



Reencarnação de Universos...

Janine Milward de Azevedo

Certamente o desapego existe desde o instante que podemos apreender do aparente início do universo em que vivemos: o Big-Bang, a grande explosão que revela a Luz primordial que dá berço à vida assim como a conhecemos – o Sublime Yang, o Tempo.

Imediatamente após a instauração da Luz primordial, ela se propaga inflacionando e criando o chamado Espaço – o Sublime Yin, a Não-Luz, o Vazio.

O tempo existe fazendo com que o céu seja constante. O espaço da matéria e da anti-matéria existe um dia, não existe outro, volta a existir no outro dia fazendo com que a terra seja duradoura. Ambos apenas existem e se existem dentro da constância e da duração é porque apenas criam, criam todo o universo, toda a natureza, todos os seres... mas não criam para si... apenas criam. E porque apenas existem e criam são constantes e duradouros.

No entanto, é sempre bom nos lembrarmos que esta Luz aparentemente primordial muito possivelmente advém do Revirão entre o Sublime Yang e o Sublime Yin de algum universo anterior....

Nosso universo como o conhecemos um dia teve o seu começo e um dia terá seu fim... Estamos apenas em seus dias de adolescência, é verdade... Porém chegará o tempo em que não mais existirão estrelas e o universo será uma imensa vastidão de Vazio ao apagar de todas as Luzes. Novamente, esse Vazio, como uma semente, renascerá criando um novo universo, em um novo Big Bang - dentro da imensa vastidão do Pluriverso do Tao da Criação. Re-encarnação de universos...



Somos Poeira de Estrelas

Janine Milward de Azevedo

Quando uma estrela explode ejeta na Galáxia gases e partículas que em algum tempo e em algum espaço se condensarão e formarão outra estrela com seus planetas girando em torno de si e, quem sabe, gerando vida... Assim, elementos leves e elementos pesados se fundem alquimicamente fazendo e refazendo, criando e re-criando, numa re-encarnação quase eterna, a natureza, os seres, nós.

Somos, então, poeira de estrelas. Em nossos ossos, nossas veias, nossa carne, todo nosso corpo, estão reencarnados os elementos químicos provenientes de estrelas que viveram antes de nós e que morreram e ao morrerem, nos proporcionaram a vida tal como a vivemos e conhecemos.

Sendo poeira de estrelas, temos em nosso corpo e consequentemente em nossa mente, guardados toda a herança deixada pelas estrelas nossas antecedentes, como uma árvore genealógica da galáxia, do universo em que vivemos. Assim, existe dentro de nós e em nós o passado, o presente e o futuro, tudo dentro de nossa vida, numa mesma simultaneidade do universo.

Assim é o nosso corpo dentro do tempo e do espaço em que existimos. No entanto, sendo poeira de estrelas, podemos voltar a ser uma estrela?

O que dentro de nós certamente pertence à totalidade desse universo, que com ele junto nasceu, que anteriormente a ele já existia e quando ele morrer, não morrerá e junto com a semente que restou do universo que findou, explodirá em um novo universo? - O espírito do Tao - Espírito do Tao que gera o Tudo dentro do Nada e que cria o Todo... Esse espírito vive em cada tempo e espaço do universo que conhecemos. Esse espírito vive na Terra, no Sol, na Lua, na Galáxia, nas outras estrelas, nas outras galáxias, em mim, em você.

A consciência expandida significa a assunção do Espírito do Tao através do Caminho da Iluminação, inicialmente, e posteriormente através do Caminho da Imortalidade ou Liberação.

Trilhar esses caminhos significa trabalhar o corpo - herança da re-encarnação das estrelas do universo - para nele conter não apenas uma parte do Todo do Universo mas também o Tudo e o Nada gerados pelo Tao através do Espírito.


Sendo Poeira de Estrelas, podemos voltar a ser uma Estrela?

Janine Milward de Azevedo

Lao Tsé finaliza seu Capítulo 7 do Tao Te Ching, assim nos afirmando:


Assim,
O Homem Sagrado deixa seu corpo para trás e o Corpo avança
Além do corpo, o Corpo permanece
Através do não-corpo, conclui o Corpo

O Homem Sagrado é aquele que já alcançou a Iluminação, possuindo, portanto, consciência iluminada e infinita, sabedora de sua herança da re-encarnação das estrelas do universo e contenedora do Espírito do Tao.

No momento em que o homem compreende que ainda cria para si e percebe que não deveria mais criar para si – e dessa forma alcançar a constância do céu – ele torna-se Homem Sagrado, ou seja, co-Criador de sua própria Criação, já a caminho do total desapego de seu corpo, já em busca de seu Corpo. É o Dagdhabiija, ou Semente Queimada, aquele que não mais cria para si sua própria criação, seu corpo dentro do Mundo da Manifestação.

O não criar para si seu próprio corpo dentro do Mundo da Manifestação significa realizar a Alquimia do Caldeirão. O Caldeirão é o próprio corpo, a criação dentro do Mundo da Manifestação em sua Eterna Mutação. Sendo conscientizada a realidade da mutação como criação, o Homem Sagrado passa a alquimizar seu corpo em Corpo – é o chamado Corpo de Luz. Na verdade, essa Luz é o Vazio, é o não-corpo – da duração à constância.

A iluminação da consciência ainda pressupõe a duração. Apenas adjuntada a iluminação e infinitude da consciência à iluminação e infinitude da vida é que se pode pressupor a constância.

O verdadeiro Homem Sagrado é aquele que alcança a iluminação e infinitude de sua consciência e a iluminação e infinitude de sua vida. Dessa forma, ele será a própria Criação, em sua constância e duração, em seu céu e sua terra, e criará esta Criação não para si... porque já estará entrelaçado ao Tao da Criação.


O Homem Sagrado deixa seu corpo para trás e o Corpo avança

Esse corpo feito de poeira de estrelas, já contendo em si mesmo a consciência iluminada e infinita, busca trazer para si mesmo a Luz dessas estrelas da qual faz parte - dentro da simultaneidade do universo.
Luz é matéria. Trazer a Luz à matéria do corpo é o trabalho realizado dentro do Caminho da Imortalidade ou Liberação. O Homem Sagrado, ao se aproximar e se fusionar mais e mais com o Espírito do Tao, gera e cria para si mesmo sua própria Luz, como se, pouco a pouco, fosse se tornando uma estrela, voltando a ser uma estrela, fazendo seu corpo acompanhar a Luz que já existe de forma subjetiva em sua consciência expandida, infinita e iluminada pela Luz do Tao.


Além do corpo, o Corpo permanece

Este processo alquímico vai acontecendo de forma que o corpo físico vai sendo "tomado" pela Luz que o ilumina, fazendo-o então tomar a forma de um Corpo de Luz. Esse Corpo de Luz é constante enquanto o corpo é duradouro.

Através do não-corpo, conclui o Corpo

Finalmente, o corpo físico, poeira de estrelas, herdeiro da re-encarnação das estrelas do universo, já plenamente fusionado à Luz do Espírito do Tao, deixa de ser corpo - agora é o não-corpo - concluindo o Corpo, o Corpo de Luz, o Corpo Espiritual.

Isso é a Imortalidade. No não-corpo da Imortalidade, a Criação surge como o Corpo, aquele que não cria para si. E não cria para si porque já está a caminho do Mundo da Não-Manifestação.

O corpo possui a Luz. O não-corpo possui o Vazio. O Corpo possui a Imortalidade. A Imortalidade é a não-mutação. A não-mutação advém do Tao. A única não-mutação é a própria eterna mutação. O Tao é a única não-mutação. A partir do Tao, o Tudo e o Todo e o Nada são mutações.

O Corpo de Luz do Homem Sagrado traz em si mesmo O Tao, O Caminho, e o Te, A Virtude, o tempo e o espaço, o céu e a terra, a constância e a duração e retorna à sua fonte primordial, volta a ser uma estrela.
(Uma estrela espiritual, certamente, pertencente ao Mundo da Não-Manifestação, pronta a ser materializada no Mundo da Manifestação através da realização da mente)

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Os textos acima são de autoria de Janine Milward de Azevedo e extraídos de seu livro A Luz e o Vazio – direitos reservados 2004. A tradução dos poemas do Tao Te Ching são de Wu Jyh Cherng em seu livro Tao Te Ching, o Livro do Caminho e da Virtude, Editora Ursa Maior, SP, Brasil). Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na íntegra e mencionando sua autoria e seus créditos.
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Glossário
Terminologia do Tantra
Baba Nam Kevalam Mantra universal: O amor divino a tudo permeia, A Consciência Suprema a tudo permeia, O Tao da Criação a tudo permeia., Somente existe a Suprema Consciência
Brahma – literalmente O Grande. A Suprema Consciência
Brahma Cakra – o Ciclo de Brahma, do sutil ao denso e do denso ao sutil
Dagdhabiija – aquele que não cria mais Samskaras; Semente Queimada
Dharma – natureza, dever; a característica essencial de uma entidade
Força EstáticaTamoguna – Eu Fiz; a realização voltada para o passado
Força Mutativa Rajoguna; força que causa movimento, atividade, agitação – Eu Faço; a realização voltada para o presente
Força SutilSattvaguna – Eu Sou: Eu Farei; a realização voltada para o futuro
Gunas – as três forças qualificadoras de Prakrti
Jiva Consciência Cósmica Coletiva
Karma - ação
Maya – o Princípio Operativo, a energia criativa do universo
Mukti – Liberação; a união da mente com a Consciência Cósmica qualificada,
Namask’ar – saudação (eu saúdo você com minha mente e meu coração)
Paramapurusa – Consciência Cósmica
Prakrti – o Princípio Operativo, A Energia Cósmica
Samsara – a Roda das Encarnações
Samskara – reação em potencial
Shiva – Consciência Cósmica Unitária
Tantra – a ciência yogi, "aquilo que libera da ignorância"
Viveka – discernimento, conhecimento discriminativo

Terminologia do Tao
Absoluto O Tao
Caminho – uma tradução para Tao
Céu Anterior - Wu Chi , o Mundo da Não-Manifestação
Céu Posterior - Tai Chi, o Mundo da Manifestação
Ching - Tratado, Livro
Com-Nome – O Tao do Céu Posterior
Corpo - (com C maiúsculo) o corpo espiritual
corpo - (com c minúsculo) o corpo físico
Fu - O Retorno do I Ching; representa no auge da quietude, o nascimento da atividade.
Espírito - manifestação objetiva no Mundo da Manifestação da subjetividade do Tao da Criação pertencente ao Mundo da Não-Manifestação. Fusionado ao Sopro Primordial, produz o Elixir da Vida.
Homem Sagrado - Aquele que se encontra no Caminho da Iluminação e posterior Imortalidade; - a união da Consciência Pura com a Vida Infinita
Mundo da Manifestação - A existência
Mundo da Não-Manifestação - A Não-Existência
Não-Existência – da classe do Wu Chi, do Não-Manifestado
Não-Ação - ação sem intenção, Wu Wei
Princípio PrimordialO Tao
Sem-Nome – o Tao do Céu Anterior
Tai Chi – O Mundo da Manifestação, O Céu Posterior
Tao - O Caminho
Tao Te Ching - O Livro do Caminho e da Virtude
Te - A Virtude
Universo ManifestadoTai Chi, O Céu Posterior, A Existência
Universo Não-ManifestadoWu Chi, O Céu Anterior, A Não-Existência
Wei Wu Wei - Ação na Não-Ação
Wu Chi - O Céu Anterior
Wu Wei - Não-Ação. ação sem intenção
Eterno Retorno - o ponto onde o Sublime Yang dá lugar ao Sublime Yin, e vice-versa, eternamente; o ponto onde o universo termina e começa novamente, infindavelmente; o ponto onde o Céu Anterior dá lugar ao Céu Posterior, e vice-versa, sempre.
Plenitude da Consciência - quando a mente consegue reunir, harmoniosamente e espiritualmente, o conteúdo manifesto do consciente com grande parte do conteúdo não-manifesto do inconsciente, tornando-se assim, capaz de acessar uma biblioteca de conhecimentos tanto pessoais quanto coletivos e universais. 


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Namaskar!
Eu saúdo você com minha mente e com meu coração
BABA NAM KEVALAM
A Consciência suprema a tudo permeia
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 Janine Milward de Azevedo
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