O texto abaixo é de autoria de Janine
Milward de Azevedo e extraído de seu livro Aonde a Cobra Morde a Cauda –
direitos reservados 2004. Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na
íntegra e mencionando sua autoria e seus créditos.
A Semente do Desejo da Criação
(sob a visão do Tantra ancestral)
Janine Milward de Azevedo
O que for a profundeza do teu SER,
assim será teu DESEJO
O que for teu DESEJO, assim será a tua
VONTADE
O que for tua VONTADE, assim serão teus
ATOS
O que forem teus ATOS, assim será teu
DESTINO.
(Upanishad IV,V)
O SER é a Consciência Cósmica, o Tao,
Paramapurusa: Eu Sou não-manifestado
O DESEJO é aquele que manifesta o Ser
Primordial: Eu Sou manifestado
A VONTADE é aquela que idealiza a
realização do movimento da Criação: Eu Farei
Os Atos são aqueles que realizam o
movimento da Criação: Eu Faço
O DESTINO é aquele que manifesta o
movimento da Criação: Eu Fiz
O Ser pode ser denominado de
Consciência Suprema, a Consciência Cósmica, ou Tao. Também poderemos chamar de
Paramapurusa, um têrmo sânscrito.
(Sânscrito é uma língua construída há
milhares de anos atrás de uma tal maneira que trouxesse uma expansão da
consciência. Os antigos yogis concentraram-se profundamente e meditaram
intensamente até encontrarem 49 glândulas sutis encr5avadas nos sete chacras do
corpo humano. Cada glândula possui um determinado som, uma vibração sonora
percebida pelos mestres yogis e condensadas em 49 letras de um alfabeto que
estruturou a língua sânscrita. Sânscrito – Sam’skrt – significa "bem
feito, bem realizado")
A partir deste Absoluto ou Princípio
Primordial, se dá a interação entre os mundos da Não-Manifestação e da
Manifestação.
O Mundo da Não-Manifestação é um estado
puro de onde se origina a Criação advinda do Mundo da Manifestação. ao surgir a
manifestação dos primórdios da Criação, com ela se objetiva a Mente Cósmica.
Assim, a Mente Cósmica é uma objetivação para agir e nomear a Suprema
Consciência dentro do Mundo da Manifestação.... surge Brahma, a Consciência
Cósmica, literalmente "O Grande".
Assim, existe o Mundo da
Não-Manifestação, Nirguna Brahma – Consciência Cósmica não-manifesta – que faz
nascer o Mundo da Manifestação, Saguna Brahma, a Consciência Cósmica
manifesta..............
Brahma desmembra-se em dupla qualidade
manifestada através de sua própria consciência objetivada em Eu Sou: Purusa. E
através de sua capacidade, potencial ou objetiva, de manifestar sua capacidade
de expressão: Prakrti.
Purusa e Prakrti interagem entre si
tanto dentro do Mundo da Não-Manifestação – Nirguna Brahma -, quanto dentro do
Mundo da Manifestação – Saguna Brahma.
Dessa forma, a partir de Brahma, a
Consciência Cósmica, Purusa, e sua expressão de manifestação, Prakrti, interagem,
fusionam-se e separam-se, fusionam-se e separam-se, criando o Princípio do
Movimento.
Essa movimentação também acontece
dentro dos dois mundos, formando, então, uma tríplice qualidade de forças que
competem entre si, infinitamente dando início, vivenciando e trazendo a
finalização para dar começo a uma nova jornada.
Aqui tem início o Brahmacakra – o ciclo
de Brahma, o movimento da Criação, do sutil ao denso, da Consciência à matéria,
e , o retorno do denso para o sutil, da matéria à consciência. É o Desejo.
O Desejo da Criação – como uma projeção
do pensamento da Mente Cósmica advinda da Suprema Consciência – é manifestado
como uma semente, Biija, através de Prakrti – o Princípio Operativo, a Energia
Cósmica formada através do Mundo da Não-Manifestação e objetivada através do
Mundo da Manifestação.
Prakrti, a energia cósmica, é
concretizada, então, através de uma triangulação de forças – as Gunas – que
manifestam o Ciclo de Brahma – Brahmacakra:
Força Sutil – Sattvaguna -: Eu Farei; a
realização voltada para o futuro – A VONTADE
Força Mutativa – Rajoguna: força que
causa movimento, atividade, agitação – Eu Faço: a realização voltada para o
presente – Os ATOS
Força Estática – Tamoguna – Eu Fiz; a
realização voltada para o passado – O DESTINO
Enquanto essas três forças estão apenas
interagindo entre si, trazendo o desejo do início, da concretização e da
finalização, elas apenas vão formando suas possíveis diferentes configurações
geométricas. Porém, qualquer desequilíbrio entre essas forças no sentido de
alguma desejar superar a outra – ainda dentro do espaço e tempo primordiais –
resulta em manifestação de energia que por sua vez se objetiva em criação.
Uma
onda é a primeira real manifestação de Brahma já em seu estado de
concretização.
A onda objetivada e criada é ainda
extremamente sutil, é a Mente Cósmica manifestando seu sentido puro e
primordial de existência, é a força sutil: o Eu – ou Mahatattva. O Eu continua
a se manifest6ar em seu porquê, em seu sentido de ser, em sua expressão inicial
de objetivação; é o ego cósmico expressando o desejo de manifestação de Brahma
através da força mutativa: Eu Faço – ou Ahamtatva. Finalmente, a objetivação
final, a capacidade de expressão plena da realização, se manifesta através da
força estática: Eu Fiz – ou Cittatattva (que é também conhecida por substância
mental cósmica).
Existe, assim, uma condensação da
Consciência dentro do Ciclo de Brahma que pode ser denominado de Saincara –
expressando o Princípio de Exteriorização: do sutil ao denso, da consciência
pura à formação da matéria (advinda das ondas emitidas pelo princípio do
movimento).
Existe também, em sua reversão, o
Prati-Saincara ou retorno da matéria à consciência pura (ainda conduzida pelo
princípio do movimento).
Ao longo do exercício contínuo e infinito
dessa movimentação, a Criação vai sendo formada até que a mente – matéria
condensada da primordial Mente Cósmica – realize a vida. Quando surge a Vida, é
objetivada a chamada "força vital" – ou Pranah.
Dessa maneira, o Tantra nos revela que
a Mente Cósmica é um reflexo da condensação da Consciência Cósmica. A
Consciência Cósmica habita, digamos, o Mundo da Não-Manifestação e se objetiva
através do Mundo da Manifestação na Mente Cósmica que, por sua vez, se condensa
em matéria. Dentro da matéria, surge a mente da Criação.
A mente da Criação – nós – é, portanto,
uma parte constante e atuante do Mundo da Não-Manifestação e do Mundo da
Manifestação. no entanto, mente da Criação e Mente Cósmica são iguais e ao
mesmo tempo, diferentes. Ambas são iguais no sentido de que advêm do Princípio
Primordial, da Suprema Consciência, da Consciência Cósmica, de Paramapurusa, do
Tao. E são diametralmente diferentes no sentido de que ao Mente Cósmica é
apenas interiorizada... como reflexo da Consciência Cósmica que apenas possui
absoluta Interiorização.
A mente da Criação é tanto
interiorizada quanto exteriorizada, tendo, inclusive, maior força na segunda
afirmação, ou seja, em sua exteriorização.
Assim, nós – os possuidores da
consciência da plenitude de nossa mente – somos aqueles que podemos cruzar a
ponte entre a mente da Criação e a Mente Cósmica advinda da Consciência
Suprema. É Atman.
Esses são os Caminhos da Iluminação e
da Liberação ou Imortalidade. A Imortalidade é a conscientização do Ciclo de
Brahma e sua realização.
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O texto acima é de autoria de Janine
Milward de Azevedo e extraído de seu livro Aonde a Cobra Morde a Cauda –
direitos reservados 2004. Você pode copiar ou reproduzir desde que sempre na
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BABA NAM KEVALAM
A Consciência suprema a tudo permeia
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Janine Milward de Azevedo